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Os números em círculo De forma misteriosa, as funções trigonométricas podem ser expressas de forma aritmética. O cosseno, por exemplo, é uma série convergente definida por (-1)^k . (x^2k/2k!). Basta olhar a pág 201 do Knopp para o mistério diminuir: as funções trigonométricas são expressas no círculo unitário, seus valores são cíclicos e sua soma, portante, é definida. Derivar a periodicidade da série, contudo, é um pouco mais complicado... Escrito por wooddays às 10h03 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Tem jeito? O blog do UOL está possuído? Escrito por wooddays às 22h05 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O dragão da restauração imperial Em Porto Alegre, o dragão da restauração do Império ameaça Júlio de Castilhos. O Visconde do Uruguai daria boas risadas da singela iconografia republicana... Escrito por wooddays às 19h24 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Certo número de idiotas Ida e volta a Porto Alegre, dois vôos diretos e muito tempo para ler. Desisti de levar o livro sobre séries infinitas para viagens e fiquei com o sugestivo Armando Maggi. Satan’s Rhetoric – A Study of Renaissance Demonology. Chicago, UP, 2001. Maggi, sinceramente, inova: evita enrolações psicanalíticas modernas e estruturalismo finananciado pelo contribuinte. Analisa a demonologia nos seus próprios termos, como se demônios pudessem existir e como se sua intervenção no mundo fosse real. São vários capítulos tratando do De Strimagis (Roma, 1511), de Sylvester Prierio; o sombrio De incantantionibus seu ensalmis (Evora, 162), de Manuel do Valle Moura; o compêndio Thesaurus exorcismorum (1601), organizado por Girolamo Menghi e e Valerio Polidori; os relatos sobre a possessão demoníaca contidos na Probation e Maria Madalena de’ Pazzi e da obra de Girolamo Cardano, médico e ocultista. Maggi acerta ao destacar o excepcional engenho de homens como Moura e Menghi na tentativa de compreender as manifestações demoníacas a partir de uma incerta angeologia. As incoerentes e ambíguas manifestações das entidades demoníacas são explicadas com base em arrojadas hipóteses sobre a existência dos demônios em nosso mundo e sua comunicação com os seres humanos. De forma geral, é possível resumir todo esse processo à incapacidade do ser humano em processar as memórias e palavras incompreensíveis sugeridas pelos anjos danados. A possessão é fruto da impossibilidade de dar sentido as estes conteúdos mentais que "vêm de fora", sem explicação, e que se tornam objeto da obsessão contínua de alguns indivíduos. Afinal, todos estão a par dos paradoxos lógicos da pergunta: o que é uma alucinação? Não é à toa que Maddalena dei' Pazzi constantemente pegunta aos demônios que a assaltam: "o que vocês querem de mim?". Nesse sentido, Maggi está corretíssimo em notar que, topologicamente, a possessão, o exorcismo, a depressão e a psicologia são equivalentes: trata-se de processar conteúdos mentais fora de controle. No século XVIII, eram demônios; no século XX, traumas sexuais. Escolha, portanto, sua teoria. Não consigo fugir de uma outra. É evidentemente difícil analisar a linguagem de uma entidade que não existe, falando por meio de simplórios religiosos que mal leram dois livros toda a sua vida, caso de Maddalena. Pobres pessoas, tentando dar algum sentido às suas loucuras, interpretadas por prelados de alta cultura, envolvidos em uma cruenta luta por poder. Nos termos de Ipanema, alguns ociosos de conveniência, obcecados com sua vida genital, interpretados por picaretas remunerados. Não há como sair nada de bom de ambas as situações. Escrito por wooddays às 19h15 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Younghusband As memórias viraram leitura prioritária: bem escritas, divertidas, objetivas. No último capítulo, ele foi ferido no Sudão e gastou duas linhas com o assunto. Prefere os casos pitorescos das guerras travadas em dois continentes, em meio a companheiros de farda australianos, canadenses, indianos, sikhs, etc. Imperialismo britânico em detalhe, longa discussão sobre o uso militar dos camelos e como evitar bully beef e comer carne fresca de gazela. Escrito por wooddays às 10h04 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Seleção natural e o blog A rotina de viagens está de volta, em grande estilo. Ontem São Paulo, amanhã, Porto Alegre. Depois, várias capitais no Nordeste e, se certa instituição financeira pedir, uma passadinha na Cidade Maravilhosa. Certas particularidades dessas viagens estão me divertindo muito, sobretudo as do Nordeste. Se eu falar nisso, contudo, posso levar uns tiros. Escrito por wooddays às 17h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Em respeito aos debatedores Mesmo correndo o risco de entediar os parcos leitores desse blog, pretendo ir postando a resposta que o Felipe teve a gentileza de escrever. Pessoalmente, contudo, me declaro satisfeitos com dois comentários recentes, que tendem, creio eu, justificar minha opinião que a teoria da evolução e o chamado design inteligente não podem, por razões meramente lógicas, incluídos no mesmo conjunto, sem desdouro, naturalmente, para ambas. Felipe, por exemplo, escreveu em comentário abaixo: "Ao contrário do que parece, o chamado "DI" é um conceito negativo. O nome popular da teoria é retórico e impreciso; dá a enteder que pretende "provar a criatividade divina". Na realidade, a teoria apenas quer estabelecer critérios suficientemente seguros para se excluir o mero acaso como fator predominante em determinados processos biológicos." Tomo a liberdade de entender, assim, que o DI é uma teoria sobre cálculos de probabilidades e não sobre processos biológicos. A rigor, poderia ser aplicada a qualquer processo não determinístico. Segue-se, no meu entender, que não produz, portanto, previsões falsíficáveis no campo da biologia. Em comentário a uma nota anterior, Leonardo Bernardes, ao menos me concedeu que: "Só pra terminar, não é que a ciência seja uma crença religiosa. É que a ciência, para começar, precisa de uma crença.. e uma crença não demonstrada." A diferença que levantei foi precisamente essa. Há crenças e crenças religiosas. A ciência precisa, momentanemente, das primeiras; não das segundas. Escrito por wooddays às 20h53 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O problema que o Felipe não resolve Só mais uma observação sobre o texto abaixo: A teoria da evolução poderia, se tivesse uma máquina do tempo, testar sua hipótese sobre a vida. Qual tipo de "experimento mental" poderia testar o D+-I?? Escrito por wooddays às 18h30 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Resposta ao Felipe Tenho o hábito de deixar ao interlocutor desse blog a última palavra, o mínimo respeito que se deve a quem teve a paciência de se interessar pelo que vai escrito. Felipe Tristão me mandou, contudo, uma longa resposta por e-mail. Vou publicá-la, aos poucos, ao sabor dos dias, limitando-me ao mínimo reparo possível: "O confrade, de plano, afasta a TDI, a partir do critério da falsificabilidade de Popper. Mas deixa de pé a Macroevolução, pelo mesmo critério: “Nada disso muda o fato de que reinvidica ser apenas uma teoria científica, aberta contínuamente ao teste e à crítica. Passível, sempre, de refutação.” Mas, rigorosamente, o que seria necessário para falsear a Macroevolução? O próprio Popper sustentou bravamente que “o darwinismo não é uma teoria científica testável, mas um programa de pesquisa metafísica". Não quero entrar no mérito da atenuação de 76, propondo “melhoramentos”. O tom pragmático e tímido da “carta apaziguadora” de Popper não sugere uma verdadeira mudança de opinião. O rigor popperiano continua o mesmo, a pergunta permanece: Há possibilidade de testes rigorosos da seleção natural? Há como refutar a crença de que criaturas terrestres são definitavamente peixes modificados, transformados a partir de casuais e fortuitas transformações, por exemplo?? A hipótese de que toda a vida tem um ancestral comum, como isso seria testado? O que falsificaria a teoria de que pequenas etapas incrementais que ocorrem devido a acidentes genéticos, podem ser combinadas em novas estruturas úteis, até a criação de novos planos corporais inteiramente funcionais?” O mínimo que se pode esperar é que não usemos dois pesos e duas medidas. O aclamado poder explicativo da teoria, de acordo com os rigores popperianos invocados pelo confrade, não conferem “cientificidade” alguma a ela. Posso estar enganado, mas se um teste usando DNA fóssil segue, por ora, impossível, a similaridade molecular das espécies (ver Mark Ridley, Evolution, capítulo 7) constitui um elemento estritamente racional para fundamentar a macroevolução. A literatura biológica está repleta de registros de evolução. Popper escreveu em um tempo onde o mapeamento do genonma era apenas uma possibilidade. Hoje você pode até datar o momento da "separação", com base na evolução das bases. Note que isso não quer dizer que a teoria "está certa", no sentido teológico da palavra. A teoria define uma empiria, testa uma hipótese e pode comprovar seus efeitos, como já foi feito em dezenas de experimentos. O objetivo da teoria da evolução não é descrever por que o peixo virou animal terrestre, mas COMO isso teria acontecido. Veja como esse passo é importante: a teoria da evolução pode definir um elemento da realidade, verificável por terceiros, por meio de um experimento validável, para substanciar a sua hipótese. Se está errada ou não; se você gosta ou não, é outra história. Enquanto isso, TD+-I não tem a menor condição de definir um fato empírico como a base do seu "COMO". A não ser, é claro, que algum profeta de Israel faça tal revelação. Escrito por wooddays às 18h18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Três notas de leitura Benson Mates, pela mera data da publicação de seu trabalho, Stoic Logic (1953), mostra como o ruído em torno da Lógica do Sentido, o livro de Deleuze celebrado em quase todas as faculdades de filosofia ao sul do Rio de Janeiro, é desnecessário. A percepção da originalidade e contemporaneidade da teoria estóica do signo e do sentido é corrente, ainda que Carnap pudesse ter sido mais generoso. Mates termina sua comparação das teorias de Frege com as idéias estóicas com uma nota cética: é difícil dizer a extensão dessa identidade diante da escassez de material. Não descarta, contudo, essa possibilidade. Afinal, analisar hoje a lógica do estoicismo é como analisar a obra de Frege no ano 4.000, contando apenas com resenhas hostis, em revistas não técnicas de filosofia. Mates sabe que copia um argumento de Bertrand Russell sobre os pré-socráticos. O cavalheiro Artaud de Monitor compôs uma eficaz biografia de Leão XII, em mais um dos volumes de sua The Lives and Times of the Popes (1910). Poucas páginas foram necessárias para descrever a ascensão de um prelado doente (“por que eleger um esqueleto?” perguntou aos cardeais que lhe anunciaram o resultado do conclave), mas sensível e disposto a prosseguir com a mudança na imagem da Igreja. Seguindo as lições de Pio VII, foi às ruas, visitar presos e doentes, reduziu impostos, mudou o Código Penal do estado Pontifício e ao menos equacionou o problema das terras pertencentes aos Behaurnais. Não falta, porém, um elemento miraculoso em seu final. Leão XII profetiza sua morte próxima a seus auxiliares com uma naturalidade delicada. (“Mais alguns dias e não nos veremos mais”, disse ao secretário). Ao cardeal responsável pelas cartas latinas, pede, humildemente, uma revisão do epitáfio que compôs. Recebeu a versão correta e faleceu praticamente no dia seguinte. As memórias do Major General George Younghusband, Forty years a soldier (1923), são uma agradável leitura: as fotos das tropas britânicas, seu modo direto de descrever fatos atrozes, a sinceridade imperial no tratamento das realidades políticas locais, etc. O principal atrativo, porém, é seu ar de déja vu: começa justamente com a guerra do Afeganistão de 1878, uma expedição punitiva, cuja primeira vitória foi seguida por um célebre massacre de tropas inglesas. Kabul, Jalalabad, o passo de Khiber, cidades e localidades que hoje freqüentam as manchetes são descritas com objetiva naturalidade por Youghhusband, que trafega pelo Afeganistão como quem passeia em Leicestershire. O trecho mais notável, até o momento, é o incrível transporte de 500 camelos, do Afeganistão ao porto de Suaquim, no Egito, para auxiliar em uma operação militar no Sudão. Essa aventura termina com o massacre de dois mil árabes, que ousaram a atacar as tropas de Sua Majestade. Youghhusband quer nos convencer de que comprou um espada cruzada, com emblema do leão, recolhida de um árabe morto em um canto esquecido do deserto oriental do Egito. Escrito por wooddays às 20h30 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Como eu ia dizendo... Uma confusão de 2007, em um universidade americana, envolvendo um debate sobre D+-I, produziu precisamente a resposta retórica imaginada por Bertrand Russell: "One of the highlights of The Dembski Affair was Dembskis very public depantsing on the evolution of the bacterial flagellum. During the Q&A, a gentleman started out by asking "If I explained to you, right now, how the flagellum evolved, will you reject ID?" (This was a big part of Dembskis presentation "If someone would just show me how X evolved, I would be an evilutionist!) After much pestering from the audience, Dembski allowed him to explain the evolution of the bacterial flagellum, and even corrected Dembskis slides. Não tenho nada contra a Fé. Acredito piamente que o motorista de táxi não vai me assaltar, que o ônibus que pegarei não vai bater e que meu avião não cairá. São crenças cegas, pois nada sei sobre o futuro. Agora, se a questão é de Crença, o terceiro excluído, o princípio da validação por terceiros, a falsificabilidade, a indução, etc devem ser deixados fora do caso. Escrito por wooddays às 18h31 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ofícios, 2001
Na cafeteria de um célebre prédio, que dá vistas para o escritório de Nicolau Maquiavel. Escrito por wooddays às 13h36 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Lubos Motl definitivo "Os blocos de concreto foram a grande contribuição do socialismo para arquitura". Comentário a respeito do prédio onde morava, recentemente renovado com a ajuda de trabalhadores ucranianos e vietnamitas. O blog do Lubos está cada vez melhor. Há diversão com veleiros ecológico presos pelo gelo no Ártico, quando imaginavam singrar pelas águas do akecimento e com um único fóton de alta energia que parece (ainda não li o artigo) ter derrubado a teoria da loop quantum gravity de um golpe só. Nada mal para um fóton. Escrito por wooddays às 13h28 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Warning Se alguém tiver o livro editado por Hawking e Israel, comemorando os 300 anos dos Principia, não leia o artigo do Roger Penrose. Gasta algumas páginas com Newton e começa a falar dele mesmo, de spinores, da sua crença na necessidade de rever a mecânica quântica, etc. Escrito por wooddays às 13h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Música como informação Desde que fui apresentado à chamada teoria matemática da comunicação, uma especulação me interessou: o que seus cálculos revelariam sobre a natureza da música, considerada como mera mensagem. As distintas melodias de João Sebastião me sugeriam que seus níveis de entropia seriam menores. Pois bem, o David Huron fez algumas computações e, de fato, as peças de Bach revelam um grau de interrelação mais elevado que congêneres modernas ou românticas. Vou digitalizar os gráficos e completar alguns comentários. Escrito por wooddays às 13h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Boole bate o córner e cabeceia Porque posso gastar meses lendo essas coisas: "It is to be remembered, that by the equation f(x) = 0 is implied some proposition in which the individuals represented by the class x, suppose " men," are referred to, together, it may be, with other individuals ; and it is our object to ascertain whether there is implied in the proposition any relation among the other individuals, independently of those found in the class men. Now the equation f(1) = 0 expresses what the original proposition would become if men made up the universe, and the equation f(0) = 0 expresses what that original proposition would become if men ceased to exist, wherefore the equation f(1) f(0) = 0 expresses what in virtue of the original proposition would be equally true on either assumption, i. e. equally true whether "men" were "all things" or "nothing." Wherefore the theorem expresses that what is equally true, whether a given class of objects embraces the whole universe or disappears from existence, is independent of that class altogether, and vice versa. Herein we see another example of the interpretation of formal results, immediately deduced from the mathematical laws of thought, into general axioms of philosophy." (pág 113). Escrito por wooddays às 01h45 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Caro Samurai Marina é um dos maiores factóides do Brasil. Passo a apoiá-la imediantamente por 25 mil reais por mês. Meio "Sarney", está barato, como se vê. Escrito por wooddays às 13h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Russel versus Tomás de Aquino Resumo com clareza meu ponto de vista sobre o debate entre ciência e fé. É a mesma objeção levantada por Russel ao pensamento de Tomás de Aquino, no curso da sua História do Pensamento Ocidental. Os homens de fé não debatem, de forma honesta (termo empregado no seu sentido estrito), argumentos racionais sobre a existência de Deus. Como nota Russell: abandonarão a Fé caso seja comprovado que não há sustentação racional para Deus? Qualquer investigação racional só pode ser sustentada se você aceitar a possibilidade de estar errado. Nenhum homem de fé genuína aceitaria tal investigação. Escrito por wooddays às 13h01 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Em defesa de uma boutade Felipe - “Quanto às críticas ao DI concordo com quase tudo o que disse o confrade (sobretudo quanto aos “furos popperianos”); mas não descartaria todos os seus produtos como “amparo espiritual para pessoas de fé menos radical”. Toda crítica séria ao DI, na minha opinião, deveria enfrentar dois pontos de extrema relevância levantados pelos seus teóricos, nem que seja para harmonizá-los ao modelo darwinista”
Luciano - Em defesa da boutade, eu diria o seguinte: qual a utilidade pode ter para um fiel um Museu do Design Inteligente? A crença em Deus não requer a crença em sua manifestação visível, tanto mais na forma de uma teoria que se diz científica e que, portanto, precisa se submeter ela mesma aos procedimentos científicos.
Digamos que a evolução esteja errada: em que isso torna mais verdadeira a teoria do Desenho??? Como mero observador, a teoria do Desenho Inteligente tem dois problemas sérios: (1) debocha das pessoas com fé autêntica, vendendo-lhes algo que não tem como entregar; (2) revela fraqueza diante do pensamento científico, ao responder com uma teoria que não tem nenhuma chance de ser “falsificada”. Escrito por wooddays às 12h57 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Evolução ou não? Felipe - “A complexidade irredutível (Michale Behe). Darwin lançou o desafio: "Se pudesse ser demonstrada a existência de qualquer órgão complexo que não poderia ter sido formado por numerosas, sucessivas e ligeiras modificações, minha teoria desmoronaria por completo". Pois bem, a teoria da complexidade irredutível é uma resposta séria à evolução darwinista, e não foi refutada: "Como irredutivelmente complexo quero dizer um sistema único composto de várias partes compatíveis, que interagem entre si e que contribuem para sua função básica, caso em que a remoção de uma das partes faria com que o sistema deixasse de funcionar de forma eficiente. Um sistema irredutivelmente complexo não pode ser produzido mediante modificações leves e sucessivas de um sistema precursor. Um sistema irredutivelmente complexo ao qual falte uma parte é, por definição, não-funcional.”
Luciano - Apenas um fato pode refutar uma teoria científica, mas a aceitação dessa realidade é um processo longo e complicado. Eu não gosto de deduzir o incognoscível a partir da primeira dificuldade com a empiria. Claro que não se pode supor que “algo” será descoberto no futuro; mas a realidade do passado mostra o potencial do avanço do conhecimento. Há dez anos atrás duvidava-se do mapeamento do genoma; hoje a criação da vida artificial é uma mera possibilidade tecnológica.
O importante, IMHO, é que a teoria da evolução propõe explicações e também problemas. Que pode ou não ser capaz de resolver. O Desenho Inteligente, ao contrário, é como o aluno que olha as resposta no fim do livro. Não precisa estudar porque já sabe a resposta. Escrito por wooddays às 12h55 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Sobre o princípio antrópico Felipe - “São palavras do “Prêmio Nobel “ Arno Penzias (co-descobridor da radiação de fundo, que é a radiação proveniente do Big Bang) “A astronomia aponta-nos um evento único, um universo que foi criado do nada e delicadamente projetado para prover as condições exatas para suportar a vida. Excetuando-se a hipótese absurdamente improvável do acaso, as observações da ciência moderna parecem sugerir um plano subjacente ou, pode-se dizer, sobrenatural.” Veja que tratar da precisão de Deus, quantificar ou qualificar a racionalidade inscrita na realidade não é algo simples. Estamos em terreno altamente especulativo novamente; novamente teríamos que falar de fé, por isso paro por aqui. “
Luciano - Como o Penzias sabe que esse é o único universo? Como sabe que foi criado do nada? Hoje não se sabe nem do que é feita a maior parte da matéria do Universo. IMHO, o princípio antrópico é apenas a ressurreição de idéias bem antigas.
Felipe - “Quem vai dar a medida da razão e da moral cósmica? Sob certa perspectiva, pode-se afirmar que a cadeia da vida é frouxa e os sistemas biológicos são pouco eficientes e que há dispêndio demasiado de energia. Por outro lado, entretanto, pode-se afirmar que o simples fato de que algo exista já é extremamente improvável e que o surgimento da vida é quase um milagre. O nível de oxigênio, a transparência atmosférica à radiação do cosmos, a atração gravitacional Terra-Lua, o nível de dióxido de carbono e a gravidade são exatamente os que eles devem ser para que a vida seja possível. Qualquer variação mínima nesse sistema sutil impossibilitaria a vida, sugerindo uma precisão extrema”
Luciano - Nesse ponto, dissentimos. Contra-factuais, a meu ver, são um beco sem saída lógico. No caso em questão, não há como julgar se a vida é mais “provável ou improvável”. Mesmo o pessoal da teoria das supercordas já percebeu que não podem usar o princípio antrópico e continuar falando de ciência. Escrito por wooddays às 12h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Diálogo das duas velhas ciências Felipe - “No entanto, não me canso de denunciar essa cadeia frouxa que Dawkins e outros tantos querem enfiar goela abaixo do mundo: Evidências adaptativas > Macroevolução > Naturalismo Filosófico > “Ateísmo Científico”. Essa cadeia não é óbvia e se olharmos bem, chega a ser filosoficamente ridícula. Digo tudo isso para esclarecer que é nessa estupefação conceitual que se baseia meu interesse em discutir tais assuntos; não nem uma vã esperança de uma eventual prova objetiva de Deus. Quanto ao assunto presente, acho que tanto a prova da funcionalidade absoluta do DNA não prova Deus, como a existência de DNA-lixo ou da extinção de espécies ou da morte de criancinhas não são incompatíveis com a crença teísta fundamental. Não estamos falando aqui apenas de porcentagens de DNA não funcional ou da eficiência de processo biológicos, estamos tratando do próprio problema do mal e da possibilidade de coexistência de Deus e de algo que seja minimamente imperfeito.” Luciano - Admito que esse debate contemporâneo me é pouco interessante. Essa “cadeia frouxa” não me desperta entusiasmo. Ela me faz lembrar o comentário de Hume sobre as teses de Berkeley: “seus argumentos não admitem a menor réplica, mas não produzem qualquer convicção”. Acho, por outro lado, estranho que pessoas busquem provas científicas da participação de Deus na evolução das espécies. Se eu fosse um fiel, consideraria uma atitude temerária. Começam explicando o design e, como você notou, precisam explicar o meteoro que caiu no Golfo do México. Cerca de um terço das concepções abortam naturalmente: o que esse fato diz sobre Deus? Que ele é a favor do aborto? Escrito por wooddays às 12h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Do Éter O livro de Max Born. Einstein’s Theory of Relativity. New York, Dover, 1965, não é a melhor popularização da teoria. Já li uma bem melhor e faria a referência, caso me lembrasse. Ainda assim, tem pontos muito interessantes como a descrição (capítulo 14) do experimento de Michelson e Morley. Entre 1881 e 1887, sob a liderança obsessiva do primeiro, ambos tentaram com rigor inédito medir a velocidade da Terra com relação ao éter. Isso era necessário porque ficava difícil explicar o eletromagnetismo sem que as ondas tivessem um meio de propagação e mais difícil ainda explicá-las caso o éter se movesse. Muito estava em jogo: a fronteira entre mecânica e eletromagnetismo, o espaço absoluto e o tempo absoluto. Pois bem: nada de éter. Bastaria essa constatação para que fosse aberto o caminho para a relatividade, mas Fitzgerald, um obscuro professor irlandês, sugeriu e Lorentz calculou outra possibilidade: que o braço do interferômetro sofresse uma contração na direção do movimento da Terra em relação ao éter. Por tal motivo, não seria possível medir a diferença na velocidade da luz. Bom, nesse caso, a Terra e qualquer outro corpo também sofreriam tal contração, criando um gigantesco problema de medição. Com essa idéia, Lorentz elaborou suas transformações, ou seja, os cálculos que tornam invariantes as leis físicas, independentemente do quadro de referência. Fitzgerald foi mais adiante: a contração seria um fenômeno necessariamente atômico. Sem o éter, as transformações de Lorentz levam à relatividade; a contração do corpo em movimento leva à conexão entre relatividade e mecânica quântica. Nada mal para uma entidade que jamais existiu – o éter. Escrito por wooddays às 22h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Em defesa de Deus, contra o design inteligente Meu caro confrade Felipe estendeu-se, com a honestidade intelectual de sempre, sobre a provocação de uma nota anterior sobre o chamado DNA-lixo. Incréus costumam usar esse fato (ainda é fato a sua existência) para, digamos, criticar as habilidades de Deus como designer. Justamente observa Felipe - e não há como negar - que muito pode ser descoberto ainda sobre o uso do DNA-lixo e que Deus pode salvar sua reputação. Fosse eu um dos crentes, não me arriscaria, contudo, por esse caminho, o caminho das provas objetivas da existência de Deus. Proponho a ponderação de alguns argumentos: 1) Quais as chances de uma comprovação científica de que 100% do DNA tem alguma função? A meu ver, tende a zero. Todos os processos biológicos envolvem algum "desperdício", as mutações, deixadas a si mesmas, produzem indivíduos decadentes e há razões físicas para isso.. Em minha opinião, fazer da funcionalidade absoluta do DNA uma "prova" de que Deus é um designer inteligente constitui uma operação de alto risco e baixíssima chance de sucesso. 2) Digamos, outra possibilidade evidente, que se comprove que não 50% do DNA é lixo, mas 10%. Ou 15%. Estamos aqui diante da mesma pergunta que Abraão fez ao Anjo que ia àquela condenada cidade. Qual o valor matemático que faz Deus um designer inteligente? Trata-se, a meu ver, de um caminho blasfemo afirmar que se Deus "erra" em 5% continua sendo um designer inteligente. 3) Digamos que fique comprovado que 40% do DNA é lixo e os incréus fiquem ainda mais incréus. Alguém abandonará sua fé em Deus por causa de uma prova científica???? Escrito por wooddays às 22h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Raiz quadrada de -1 No seu capítulo V (pág 69 da edição Dover), Boole nota que os críticos do uso de símbolos lógicos desprovidos de tradução real no curso de uma cadeia de raciocínios deveriam analisar o uso, em trigonometria, do número i. Trata-se de um exemplo da validade do procedimento. Escrito por wooddays às 16h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Desenho pouco inteligente Sei que o "desenho inteligente" não é uma teoria séria, mas uma espécie de amparo espiritual para pessoas de fé menos radical. Ainda assim, a teoria teria enormes dificuldades em explicar um fato notável: porção expressiva do DNA não tem qualquer função. É mero "excesso egoísta" da molécula que ama duplicar-se e representa um custo energético para o organismo. Os milenaristas de sempre vão argumentar que todo DNA tem função, que os cientistas é que não sabem qual é e que no "futuro" vai se ficar sabendo da função. Confesso, porém, que nessa altura, já estou no terceiro copo de vinho. Ridley cita como referência o artigo de Charlesworth (1994), "The evolutionary dynamics of repetitive DNA in eukaryotes". Nature 371. Escrito por wooddays às 12h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Experimento social O Direito Romano - a idéia não é minha - pode ser estudado como um gigantesco experimento social. O pater familias é protegido por várias restrições contra atos eventuais de pessoas sob o seu domínio, como escravos, libertos ou dependentes. Em princípio, não pode se tornar devedor por conta de decisões de um intermediário. Como, contudo, funcionar economicamente sem intermediários? Por razões óbvias, esses intermediários serão naturalmente escravos ou dependentes. Então, começam as exceções, como é o caso da armação de navios. Depois, certos tipos de dívida comercial. Há que prover ações e o pretor vai criando o direito específico. Reserva, por exemplo, qualquer ação contra o pater familias ao pecúlio constituído para um determinado negócio. De todo modo, as restrições nunca desapareceram, representando um obstáculo para a complexidade das atividades econômicas. Girard, Manual élémentaire, págs 716 e ss. Curiosamente, o exemplo veio das chamadas ações noxais: quando um animal, por exemplo, do pater familias causa danos a terceiros. Nos Institutos 4, 9, há o título Si quadrupedes pauperiem fecisse dicitur. Id, pág 720, nota 3. Escrito por wooddays às 12h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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