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Sem ventos sobre o Lago Fui ao Lago Sul há pouco e notei que o dia quente e seco não está gerando ventos como deveria. Está quase espelhando em alguns trechos. O final de semana está longe ainda, mas quem olha o horizonte tem o hábito de prever. Escrito por wooddays às 13h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Cartografia Medieval (abertura) "...Diz Estrabão que a geografia se liga primordialmente a objetivos práticos e às necessidades dos chefes de estado (Géographie. Paris, 1886, pág 17). Não devemos esquecer essas palavras. A cartogragia medieval latina sempre esteve ligada aos fatores definidos por Estrabão e sua evolução entre os séculos VIII e XV é o que pretendemos estudar; tanto no seu aspecto técnico, como histórico. Ainda que os historiadores discutam se houve ou não um desligamento significativo da Europa Ocidental dos circuitos comerciais mediterrâneos (Henri Pirenne, História Econômica e Social da Idade Média, São Paulo, 1963, pág 7; Robert Latouche, Orígenes de la Economia Occidental, México, 1957), ou se tal desligamento foi provocado pelas invasões germânicas ou árabes (Édouar Perroy. "Encore Mahomet e Charlemagne", Revue Historique, oct-dec, 1954; Maurice Lombard, "L´évolution urbaine ao Moyen Age". Annales, janv-mars, 1957; Carlo Cipolla. "Sans Mahomet, Charlemagne est inconcevable". Annales, janv-fev, 1962.) é algo mais ou menos estabelecido o "fechamento" da Europa sobre si mesma na direção de uma economia agrícola de caráter relativamente local e de débil circulação monetária, ainda que tenhamos de reconhecer, na verdade, apenas uma separação entre dois tipos diferentes de circulação monetária(Latouche, op.cit, pág 73; Richard Koebner. "The Settlement and Colonization of Europe" em The Cambridge Economic History of Europe, volume 1, págs 4 e 24). Estamos conscientes de usar uma linguagem em parte metafórica, pois fluxos de comércio continuaram existindo, mas em condições naturalmente precárias. Um desses movimentos alternativos nesse período, por exemplo, foi a ligação maior com os circuitos comerciais do Mar do Norte e do Báltico. Alfredo, o Grande, promove durante seu reinado (872-900) explorações do Mar do Norte e inclui em sua tradução de Orósio para o anglo-saxão informações sobre a região que vai de Halogaland até Biarnia no oeste do Mar Branco (Visconde de Santarém, Essai sur l´Histoire de la Cosmographie et de la Cartographie pendant le Moyen Age.., Paris, 1849, pág 37). Quanto aos movimentos políticos correlatos a estas transformações econômicas, eles são também conhecidos: formação dos reinos bárbaros, estabelecimento dos grandes senhorios feudais, ascensão e queda do Império Carolíngio e novo mergulho na anarquia feudal após as invasões normandas e húngaras dos séculos IX e X. A cultura mais do que nunca torna-se apanágio da Igreja, agora solidamente estabelecida como administradora do patrimônio dos reis bárbaros (Latouche, op.cit.) e em plena expansão evangelizadora rumo ao Norte e Leste da Europa. Para a cartografia, quais são as consequências desses movimentos? A decadência da atividade comercial no Mediterrâneo implicava a destruição das frotas e o fim das viagens marítimas, instrumento e fonte dos conhecimentos geográficos, e drástica diminuição do intercâmbio de informação com as regiões extra-Mediterrâneo, como a costa oriental da África e o Oceado Índico. Mais importante ainda foi a desaparição das cidades e de uma cultura científica e laica, independente da abadia e da corte. Única depositária da cultura e privilegiada leitora da antiguidade, a Igreja imprimirá a primeira marca da cartografia medieval...." (segue) Escrito por wooddays às 20h31 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Os anos 60 em Jornadas nas Estrelas Dois episódios da segunda temporada. The Domesday Machine é pacifista, quer mostrar que as armas atômicas são um perigo apenas por existirem. Não deixa de ser um comentário curioso em um mundo que teme o terrorismo atômico, uma ameça que sobrevive por conta de um arsenal inútil e de difícil administração. Dramaticamente fraco o episódio, sem alternativas. Catspawn é bem mais interessante. É a velha história dos alienígenas que ambicionam as emoções e sentimentos humanos. O primeiro, um gordo vagamente gay, vestido com uma roupa de sacerdote de espiritismo de subúrbio. A segunda, uma versão curiosa da Mulher Gato, devidamente agarrada pelo Kirk. Agarrada, não comida, porque estamos na televisão dos anos 60 e o seriado é de ficção científica. Havia uma dupla camada cômica no episódio. Primeiro, aquela diva dos anos 60, totalmente psicodélica com aquela sedução de mulher gato para cima do batman gay. Segundo, aquele discurso humanista da ficção científica de que a vida humana e as sensações humanas são invejadas pelos extra-terrestres. É muita pretensão. Prefiro a frase sombria dos borgs: "Resistance is futile...". Ou o comentário decisivo do agente Smith: "only a feeble human mind could create something as insipid as love"... Dramaticamente é uma obra prima: no final, Kirk quebra a varinha mágica e as poderosas entidades revelam o que são: pequenos animaisinhos de brinquedo que viram fumaça. Os objetos do desejo humano são fracas convenções culturais. Para funcionarem, precisam desesperadamente de crença, de licença poética. Sem isso... Em um determinado momento, os alienígenas oferecem um banquete fabuloso. Não provocam a menor emoção. Depois, oferecem bandejas de pedras preciosas. Kirk comenta: posso fazer uma tonelada dessas em minha nave... A Enterprise não quer comida, não quer riquezas... o que deseja afinal a Enterprise? O alienígena vagamente gay sugere: vocês estão sempre querendo saber algo... Escrito por wooddays às 12h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Balanço dos dias Capítulo sobre normalização concluído, revisado e entregue. Ao menos aprendi algo sobre ISO 9000 e sei agora que a Toyota não está nem aí para a norma da qualidade. Alguns conhecidos meu no governo me informam que, de fato, a ISO 9000 dá margem a picaretagens variadas. E eu sempre pensei que só nas ciências humanas havia picaretagem... A revisão do livro sobre populismo também terminou e me sinto hoje meio liberado. Há um horizonte de final de ano melhor e mais calmo. O recolhimento do domingo rendeu bons frutos. Há noite, fiquei lendo mais algumas páginas do livro negro e o resultado foi melancólico. A polêmica é meio velha, afinal. Os artigos originais do Cioffi sobre a empulhação freudiana são do início dos anos 60. Seu seminário original é de 1961. Por isso Lacan, ele mesmo, reconhecia-se picareta. Malandro que era, percebeu que ciência não dava para ele. Vou dar uma olhada no livro do Sokal. Escrito por wooddays às 12h10 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Sábado sem blog, domingo de recolhimento Sábado doido demais, um desses dias em que a vida nos deixa cansados. Levar filho na aula extra, rolê pela cidade, filé com alho no Pátio Brasil, horas de vela no Lago Paranoá, quarenta minutos de corrida, episódio de Jornada nas Estrelas, interregno profissional no Lago Sul, redação de livro até as quatro horas da manhã. Essa é a vida. Escrito por wooddays às 10h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Ministério da Ilusão É o título do bem humorado livro sobre cinema nazista que estava folheando enquanto bebia um suco de abacaxi desses de caixa. Aplica-se a quase todos os postos no gabinete de Lula, mas dedica-se a documentar um fato hoje penosamente reconhecido. Dentre os meios de comunicação privilegiados pelo regime nazista, destacava-se o cinema, justamente empregando as técnicas e artifícios hoje usados e abusados pela indústria cultural de massa. Estou rindo tanto que quase derrubei o copo de suco de abacaxi. É impossível assistir Guerra nas Estrelas, por exemplo, e não perceber as gloriosas imagens da convenção do partido em Nuremberg. Ou contemplar um concerto de roqueenrou e não notar as semelhanças com certos eventos.... Escrito por wooddays às 22h05 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Nietotchka e seu pai Nem sei, mas já devo ter falado desse assunto aqui. Nietotchka Niezvanova é uma história inacabada de Dostoievski, onde ele flerta com idéias estranhas (quer dizer, estranhas para a época e para o lugar, ehehehe), como o lesbianismo adolescente, e testa alguns tipos de personagem sombriamente familiares. Há um violinista na história, o pai da menina. Tecnicamente um fracassado, tinha motivos, porém, para se julgar um músico com grande potencial. Caso "assim desejasse", poderia ser grande. Nenhum de seus próximos contestava (com sinceridade ou não) sua bravata e ele vivia assim feliz no fracasso, mas exibindo aqui e ali os talentos que poderia, "caso quisesse", desenvolver e chegar ao sucesso mundial. Essa descrição chegar a ser sombria de tão familiar que é. Afinal, o "quase gênio" usa e abusa de sua condição para tiranizar os próximos e passa todos os dias pela nossa vida. Lá para meio da história, por sinal inacabada, o sujeito tem a notícia de que um grande violinista estrangeiro vai a São Petersburgo e começa a temer pela sua sanidade mental. Vai que ele é realmente um "gênio" (outra obsessão russo-brasileira, o "gênio")? Bom, a história é conhecida, não vou repetir, mas nesse entretempo Fiódor tece uma descrição genial de uma obra prima musical executada no violino. Não leio Nietotchka desde os tempos em que fiquei desempregado em 1990-1991, mas a memória que guardo me sugere ser a Chacona. Para fazer uma impressão tão profunda no velho Fiódor só poder ser a Chacona e isso tudo que escrevi até aqui é pura introdução para falar desse último movimento da Partita n. 2, claro, em ré menor, essa tonalidade tão bachiana. A pergunta que preciso fazer, a essa altura da vida, é simples: o que é a Chacona? É óbvio, por exemplo, que sua duração e escopo foge completamente do ciclo das Sonatas e Partitas. Está ali engastada. Por que? Recentemente, uma professora afirmou ter descoberto, codificados, corais referentes à morte e, de fato, a composição pode ser da época em que sua primeira esposa faleceu, quando o Mestre estava em viagem comandando a "banda" do príncipe Leopold em uma estação de águas. Pode ser uma peça de lamento e nesse caso teríamos uma das raríssimas obras em que é possível ligar seus sentimentos pessoais a uma peça de música. Isso, porém, não resolve o problema. Para além de suas motivações dolorosas, resta a questão intelectual: qual o significado maior dessa peça? Venho preferindo uma explicação formal. Trata-se de um exercício deliberado de explorar ao limite as possibilidades de um gênero até que o indivíduo vira sua própria classe. Todas as chaconas a têm como referência, na verdade, as peças para violino solo a têm como referência. Para resumir, trata-se de uma coisa monstruosa, no sentido latino do palavra, algo fora das medidas, potencialmente com má intenção e um presença desconfortável no mundo. Se essa explicação não for verdadeira, temo que não haja outra que não esgote em superlativos e sugestões místicas. Aplica-se aqui a advertência do famoso cientista sobre a música do Mestre: "ouça, ouça, ouça... e mantenha sua boca fechada". Escrito por wooddays às 10h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Con l´ali aperte, che parean di cigno É melancólio perceber que ando gastando mais tempo pesquisando livros para comprar do que efetivamente lendo. Comprar gera a ilusão da posse e não consome muito tempo. Ler exige concentração, disponibilidade e termina oferecendo muitas novas idéias e informações. Muda o ritmo das horas e dos dias. Ontem na cultura vi um livro ótimo sobre Mishima, trechos geniais sobre sua visita ao Brasil, sobre sua simpatia pelo catolicismo. Se comprasse, ia ficar na estante. Consumismo puro. Estou moderando isso. Fiquei só com uma antiga gravação, do mestre Yehudi Menuhin. No auge de sua carreira, em meados dos anos 30, ele gravou as suites e partitas. Destaque, claro, para a Chacona. Ouvi ontem, ouvi hoje vindo para o trabalho, em breve anoto o que acho sobre isso. Escrito por wooddays às 09h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Discreta presença Ao final de THX 1138, a obra prima de George Lucas, ficção científica de tons proféticos, o personagem foge da sociedade ultra-moderna, perseguido por policiais robôs, enquanto uma espécie de taxímetro roda no "sistema". Só vale persegui-lo enquanto os custos dessa perseguição são menores do que os ganhos econômicos potenciais com sua captura, medido em anos de vida, etc, etc. Idéia interessante, não? Contrato social na versão ultra-tecnológica. Ele vai subindo por uma chaminé impolutamente branca e os policiais robôs desistem. Na borda chaminé, nasce o sol e ouvia-se uma música tremenda. Impressionou-me demais. Muito tempo depois me dei conta: era o coro da Paixão. Terrível e pacificante, prelúdio de libertações infinitas.
Pós escrito: há alguns meses atrás comentei um artigo do Journal of Roman Archaeology sobre máscaras de metal brilhante usadas em manobras da cavalaria romana, geralmente tropas recrutadas na Ásia. Pois bem, o comentário do especialista propunha um efeito despersonalizador como objetivo do adereço militar. Olhem elas aí na face dos robôs policiais de THX 1138, sempre tão calmos e tão implacáveis. Escrito por wooddays às 09h57 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Por que não? Prossegue o livro negro da Psicanálise, imponente volume de oitocentas grossas páginas (ahahahahaha). Ontem o Cioffi apresentou uma pergunta: diante de tantas provas de manipulação de evidências, de mentiras conscientes de Freud, de evidências repetidas da ineficácia terapêutica da psicanálise, por que se deve manter que seus defensores agem de boa fé? Aplica-se o mesmo raciocínio aos defensores do stalinismo. Até onde a declaração de ignorância dos fatos pode ser sustentada sem questionar-se a integridade moral do individuo? Quando leio essas coisas, minha presente condição de soldado voltairiano da liberdade humana deixa-me alerta demais. Écrasez l´infâme!! Escrito por wooddays às 09h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Trabalho feito Fui informado há pouco que poderei usar os gráficos da tese do Pedro Paulo no livro. Com isso, são três páginas - minha meta diária está cumprida. Terei uma noite amena. Ando vivendo assim, de migalhas de páginas, como um reles novelista francês do século XIX. Escrito por wooddays às 12h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Wallace desce aos infernos Tal como Jó, Wallace foi tocado em sua carne. Perdeu a indicação pelo partido Democrata, perdeu o movimento nas pernas, perdeu a mulher e ficou apenas com o preço de sua alma: o governo estadual do Alabama. A tal ponto que tornou-se um símbolo de sua gente e mesmo os negros começaram a votar em Wallace, cujo programa educacional, de fato, mudou a face do estado. Sem o sonho, ele foi morrendo. Mal governou em seu quarto mandato e, de certa forma, buscou a redenção, pedindo perdão aos negros e renegando o racismo. O tempo passa sobre a carne, a pacifica, a adormece. O corpo ferido de Wallace terminou curando sua alma vendida ao ódio e à fúria. Ao desejo de humilhar os outros, como disse Mrs Durr. O racismo me intriga porque se há algo óbvio demais é que os seres humanos são pateticamente semelhantes. Como diz o ditado judaico, se você me ferir, eu sinto; se você me roubar, eu sinto. Mobilizar o racismo é uma forma satânica de soberba e acho que o Príncipe da Luz deu a Wallace tudo o que ele pediu - o Alabama - e lhe tirou, com a permissão do Senhor em sua insondável misericórdia, todo o resto. Figura trágica. Morreu há pouco, em 1998. Escrito por wooddays às 22h21 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Richard Nixon Ontem Wallace finalmente levou os tiros que mudarão a política americana. Fosse ele o candidato democrata em 1972, não teríamos Watergate e Reagen talvez não chegasse ao poder. Nem Carter. Teríamos o espetáculo incrível de um racista reconciliando o país, ao estilo charmoso do Sul. Talvez não. Carter era da Geórgia e só fez bobagem. Na verdade, personagem que emergiu das páginas de ontem é Tricky Dick, o homem mau da política americana. Nixon. Acho que vou comprar os diários de Haldeman. Escrito por wooddays às 13h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Dias de batalha Ando fazendo a revisão de um livro sobre populismo brasileiro. Garanto, porém, que se trata apenas de compromissos profissionais. Enquanto isso, soube que o doce príncipe está aproveitando a praia em Recife, mas só quer saber de andar pelado. Moreno como é, vai ficar mais ainda. Vão dizer que não é meu filho. Mal isso. O dia segue lindo em Brasília, mas há trabalho demais pela frente. Escrito por wooddays às 13h46 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Segunda feira quase desperdiçada Leitura até as três da manhã. Reunião logo cedo no MCT. Duas horas de um encontro muito produtivo. Depois, entrevista na Record. Almoço possível. Sono. Waffle com geléia há pouco. Não tem nem duas horas que estou normalizado aqui no office. Que vida. Escrito por wooddays às 15h43 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O fracasso constrangedor do socialismo O socialismo se apresentava (pelo menos era assim na faculdade) como uma extensão do racionalismo e do pensamento científico. Sua prática real, contudo, decaiu para as mais exuberantes formas de macumba e loucura humana. Nem estou falando de Lysenko e seus amigos. Veja, porém, o caso de Fidel. Em lugar de aproveitar sua doença (é um homem idoso) para planejar alguma institucionalização do regime para além de seu carisma pessoa, as elites locais vendem agora a idéia de que ele voltará a seu posto. Voltará para quê? Vai viver para sempre? O socialismo precisa de líderes imortais, de pobres múmias empalhadas? Que decadência! Escrito por wooddays às 15h40 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ai que preguiça! Dormi quase o domingo todo. Nada salvou, nem o Burger King do Brasília. Essa nota aqui é para presever o blog. Não sei que horas volto. Mais uma reunião de negócios que poderia ocorrer na segunda. Após os debates de sempre, acabei tomando um sorvete no Pontão. Com café, como sempre. Noite fria, mas nem tanto. Luzes sobre o lago. Ia registrar minha intenção de passar a noite no veleiro um dia, mas não estou velejando nem em dia de folga, quanto mais nesse caso. Final de semana, enfim, quase perdido não fosse do DVD do Yo-Yo-Ma. Vou logo confessando que foi a primeira performance kabuki que assisti na vida, para a Suite n. 5. O kabuki tem um espírito barroco muito afim à música do Mestre. É deliberamente ultra-expressivo, over. Os papéis femininos, feitos por homens, sobretudo. A solução para o prelúdio não foi excepcional, mas o resto foi muito interessante. Quanto à Suite n.6, a própria música supera qualquer tentativa de exposição. Yo-Yo-Ma tocava no meio de Nova Iorque, como um músico de rua, com a caixa do cello aberto para recolher contribuições, como o próprio Mestre fazia quando jovem, órfão, vivendo de uma bolsa de estudos. O prelúdio é uma música tão genial que ele mesmo, tocando, sentia a mágica da coisa e sorria. Dia de sol em Nova Iorque. Eu sempre choro de emoção quando ouço essa música. Ela é tão intensa quanto a vida. Escrito por wooddays às 18h58 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Os verdadeiros interesses
Enchi o saco de muita gente ontem afirmando que ia passar o dia no lago, ao vento. Pois bem acordei às oito sem nenhuma vontade de levantar da cama. Fiquei ouvindo música até as dez e pouco. Tomei café e fui passear com o Márcio no shopping. Comprei uns livros, o DVD do Yo-Yo-Ma (uma hora comento isso) e voltei para casa. Descansar, naturalmente. Estava precisando mesmo era ficar à toa. Por isso diz-se por aí que as pessoas precisam saber identificar seus verdadeiros interesses. Ou seja, não o que ela ingenuamente acha que é do seu interesse, mas o que realmente é do seu interesse. Escrito por wooddays às 17h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Composição abstrata ![]() Escrito por wooddays às 17h53 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ventos do cerrado Ao que tudo indica, um sábado de ventos se aproxima. Vou passar o dia inteiro no lago. Escrito por wooddays às 12h14 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Especialistas em política por todos os lados Com a eleição, estão proliferando os blogs políticos. Com exceção do Noblat, nenhum dos jornalistas tem tempo de operar um blog. Ficam circulando, à cata de rumores. Vez por outra, passam a analisar pesquisas, o que sempre produz comentários hilários. Geralmente acreitam em casas decimas em pesquisas de opinião e não entendem o conceito de margem de erro. Há uma suposição de genialidades no ar. Os currículos impressionam: um viu quando Cabral falou algo com Caminha sobre a sucessão de Tancredo. Outro soube meia hora antes que a Princesa Isabel iria visitar Lula em São Bernardo. Bom, pelo menos não estão escrevendo sobre política internacional. Escrito por wooddays às 11h59 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Lurleen Wallace morre no cargo A governadora do Alabama termina morrendo no cargo, de câncer. Nesse drama todo, fica um ar de profunda semelhança entre os hábitos mentais do Sul e o espírito latino. Gostar de sofrer, orgulho da própria ignorância ou barbárie, uma certa revolta primal contra a razão. Será que é isso? Escrito por wooddays às 12h52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Lula é muito engraçado Essa da Constituinte para fazer reforma política é de matar de rir. Ou o presidente da República pensa que os outros são bobos ou - bastante provável - não faz a menor idéia do que seja "reforma política". Viver no Brasil é fascinante. Escrito por wooddays às 12h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Análise política Política é um negócio interessante. Há dilemas que são insolúveis e, nessa condição, criam uma outra realidade, como uma transformação topológica. Tome-se o caso dos sanguessugas. Não há como apurar. O governo Lula simplesmente comprometeu-se com a liberação em massa de emendas fraudulentas e não há como apurar isso. Espera-se dos governos crimes magnos, satânicos, como foi o caso de Collor de Mello, que parecia disposto a extorquir toda a República. O governo Lula dedica-se ao roubo de galinhas e ao furto de objetos de uso pessoal. Instintivamente percebe-se que não se pode derrubar um governo por conta de crimes menores, mas são ainda assim crimes. Reduz-se a coisa à situação familiar dos tios bêbados que fazem saliências em festas. Há que se tolerar, mas o clima moral decai. Examinemos a situação do Congresso. Por baixo, são mais de 150 deputados envolvidos em roubo de dinheiro público por meio de emendas individuais. Não há como cassar todos esses mandatos. 95% deles são deputados governistas, que votam as MPs e os projetos do Executivo (et pour cause). O governo do Brasil pararia sem deputados corrompíveis. A publicação dessa realidade, porém, muda tudo. Nada é sério, na verdade, nem os sinais vermelhos do trânsito, as multas e, em breve, as campanhas de vacinação. Escrito por wooddays às 12h00 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Velho ditado Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz. É dito assim e assino embaixo. Para que eu saia de minha casa são necessárias quatro condições: oferta firme de sexo, ventos fortes pela manhã, oportunidade de ganhar dinheiro ou correr no eixão quarenta minutos. Sem isso, nem pensar. Bom, se João Sebastião estivesse tocando piano em algum auditório... mas a hipótese é pouco provável. Não apenas tenho "horror" de sair de casa, mas considero o gregarismo fundamental de nossos tempos um hábito totalmente bizarro. Tenho amigos e amigas que podem passar horas em um tamborete, bebendo cerveja de quinta, ouvindo música feita por sujeitos com três neurônios ativos, jogando conversa fora sobre porra nenhuma. Para mim, isso equivale àquele hábito masai de beber o sangue fresco que sai do pescoço dos novilhos. Ontem a coisa ficou boa, portanto. O pessoal viajou e posso circular pelos corredores com a tranquilidade de Frederico II durante paradas militares. Ponho do CD para tocar e de meu quarto consigo ouvir as notas mais graves do cravo. Há tanta coisa para se fazer em casa hoje em dia. E tem o silêncio maravilhoso que só a paz fundamental do espírito pode conceder. Houvesse a quem agradecer, agradeceria. Obrigado, obrigado por esses dias que vão! Escrito por wooddays às 11h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Sweet Prince O doce príncipe foi viajar. Estava tão bonito hoje cedo. Fez uma malcriação horrível porque eu fechei a porta. Vá e volte, doce príncipe. Escrito por wooddays às 12h17 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Lyndon Johnson escova George Wallace Na política brasileira, diz-se que não se recusa convite do presidente da República. Nos Estados Unidos também é difícil. O governador do Alabama sabia que ia ser devidamente escovado por Lyndon Johnson depois do desastre de Selma e foi, sem remissão. Continuo impressionado com a biografia de Wallace: ele perde todas, sem exceção, apenas para se tornar mais popular em seu estado, junto aos brancos. Ontem, elegeu a mulher governadora, a primeira nos Estados Unidos desde "Ma" Ferguson. Era contra os negros, ficou a favor. Representava a direita maluca, levou uma mulher ao governo do Alabama. Que vida estranha. Escrito por wooddays às 12h05 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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