Reflexões no Paranoá  


Goldwater

"if ever there was a campaign in which one candidate sought to win the election while the other was more interested in winning the point, the 1964 presidential race between Lyndon Johnson and Barry Goldwater was that contest. The Republican nominee´s emergence out of the right wing of his party is less significant than that his final position was no further to the center by the election´s end. Indeed, in what was one of the strangest campaigns in American history, Barry Goldwater attempted, in the two short months from Labor Day to November 4, to move the vast majority in the middle to where he stood rather than attempting to present his philosophy in terms palatable to the moderate middle." (Kathleen Jamieson, Packaging the Presidency, 1992, pág 169).

Poucas coisas me divertiram mais, recentemente, do que o capítulo da Jamieson sobre Goldwater. Eu tinha idéia da lenda por que essa campanha deu origem ao célebre comercial da bomba atômica, uma obra prima de propaganda política, mas não fazia idéia do genial filmete "Choice", produzido por sua campanha para chocar os americanos com a decadência moral do país. O filme tinha uma dançarina de topless!!! Depois das trinta páginas de Jamieson, fiquei convencido que Goldwater, na verdade, era muito doidão. Ele é o autor da genial frase: "a bomba atômica é uma bomba como outra qualquer". Se a ficção desejasse criar algo como ele, não conseguiria.


Escrito por wooddays às 15h27 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Sexta-feira preciosa

Semana braba essa. Eleição na Câmara. Não gostei de acertar a eleição do Aldo Rebelo. Análise Mensal, dez páginas de textos e tabelas em três dias. Trabalhando depois de meia noite e minhas leituras se acumulando sobre a mesa. As partituras sobre o piano. Como o pó quando a casa não é limpa. A sexta-feira é a primeira promessa de paz, hoje deve ser mais tranquilo, devo conseguir ânimo para montar amanhã. Estou sentindo falta da equitação também, deixada de lado por causa de viagens ao Rio, a Porto Alegre. Estou me sentindo ameaçado por uma promoção de tapetes persas cujo folheto recebi pelo correio. Dólar barato, pagamento em dez vezes. Não resisto a tapetes persas.
Escrito por wooddays às 09h07 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Prece contrita

Obrigado João Sebastião, por mais um dia de ventura em minha vida;/ obrigado pela luz que trazes para meu dia;/ obrigando pelo sentimento solene da alegria;/ pela dança, pela esperança de redenção.

Obrigado João Sebastião, pelas melodias que jamais esquecerei;/ por coisas que posso amar sem temor;/ porque não desfalecerão jamais;/ estarão moças, quando eu velho estiver.

Obrigado João Sebastião, por me fazer amar aos onze anos o que amarei aos setenta/ obrigado por me lembrar do menino em mim/ quando já não tiver cabelos, não tiver forças/ obrigado, obrigado.


Escrito por wooddays às 12h35 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Oratório da Páscoa

Saget, saget mir geschwinde,
Saget, wo ich Jesum finde,
Welchen meine Seele liebt!
  Komm doch, komm, umfasse mich;
  Denn mein Herz ist ohne dich
  Ganz verwaiset und betrübt.

Diz-me, diz-me logo,/ diz-me onde encontro Jesus,/ Quem meu coração ama!/ Vem, logo, vem, toma-me/ pois meu coração sem ti/ é todo órfão, todo triste.

Fale, fale logo,/ onde O encontro,/ Esse que meu coração ama!/ Vem, abraça-ma/ meu coração sem ti/ é nada, sem nada.

O site do Simon Crouch, onde a hipérbole não é rara e onde a emoção dita as regras, não economiza palavras sobre o Oratório da Páscoa. Música, música que amamos tanto e tem toda a razão. Vão dizer que as melodias foram emprestadas de peças profanas, quem têm ritmo de dança e tal, mas a Páscoa é tempo de alegria, de confirmação das melhores certezas. A musiquinha dessa ária acima é pura brincadeira com a palavra geschwinde. Eu ouço, ouço ouço, não me canso, não enjoa, é como a face da mulher amada. Todo dia a mesma, todo dia maravilhosa. Geschwinde! Geschwinde! 


Escrito por wooddays às 12h24 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Ítaca

Levei algum tempo para reconhecer, não imaginava que as paisagens, os sinais, minhas coisas amadas estariam assim e não as sabia tão esquecidas. Pensava que ia reconhecê-las de imediato, que a felicidade de reencontrá-las não exigira esforço algum. Os anos no mar, os anos de viagem, tantos rostos que vi e esqueci, fizeram da busca e do esforço um hábito e uma maldição. Não soube de pronto que havia chegado, que essa era a minha casa, marcada pelo tempo. Foi Argos, meu cão, largado no chão, a me dar a primeira pista. A busca terminara e essa seria minha casa para sempre. Lugar onde posso ficar.


Escrito por wooddays às 10h43 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Horácio

O menino Horácio começa a marcar meus horários. Não chora mais quando saio, grita de alegria quando chego. Ontem estava quase "caminhando" quando cheguei. Está pesado o menino. É verdade que andamos fazendo peraltagens juntos: comendo chocolate, saindo para passear de noite e deixando ele no banho muito tempo. Aididi! como ele mesmo diz, aididi!
Escrito por wooddays às 12h07 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





no one knows

"The enzymes that copy DNA to DNA, or DNA to RNA, are indeed very clever. They can sense at several stages during synthesis whether anything is going wrong; for example, if they have added or are about to add the wrong base, according to the Watson-Crick rules of pairing. Also, there are repair enzymes that go around correction occasional mistakes of copying or `mismatches´. Thus, Nature goes to great lenghts to avoid errors in the copying of DNA, even though the atoms in the DNA structure are actually quite tolerant of mismatch pairings. These enzymes are extremely efficient in doing their job, yet no one knows exactly how they work" (Calladine and Drew, Understanding DNA. Academic Press, 1997.)
Escrito por wooddays às 23h22 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Gosto ou não gosto de Portinari?


Escrito por wooddays às 23h17 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Capela na mata


Escrito por wooddays às 23h16 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Leitura e transcrição

Continuo interessado na forma das idéias, em certas estruturas invariantes. Por vezes acho que são construções da linguagem humana, às vezes acredito que podem revelar o funcionamento da realidade. O fato de que a vida seja o resultado da leitura de um código é intrigante. A simplicidade do termo "código genético" é, contudo, enganadora, para começar. Qualquer leitura exige gramática, vocabulário e outros sinais correlatos (pontuação, onde começar, onde terminar) e de fato o funcionamento das células e a produção de proteínas obedece a essas regras. O funciomento da vida, contudo, não é a leitura de um texto. Vastos setores do DNA, aparentemente, não tem função. Outros só funcionam em blocos determinados. Algumas informações são relativas a produtos (enzimas, hormônios, etc) outras a processos (agora ou depois, em tal quantidade), mas não está claro, no mesmo hardware (o DNA) porque uma faz uma coisa e outra faz outra. Seria intrigante apenas, não fosse o funcionamento da vida. Nesse caso, é quase fantástico e assustador. Nossas metáforas da leitura e do programa do computador, na verdade, são simples e lineares demais para descrever o processo da vida e da reprodução com um grau adequado de aproximação. Não seria equivocado, a meu ver, dizer, ao contrário, é que nossos procedimentos de leitura e de computação apenas fracamente emulam alguns aspectos do vasto e complexo engenho que é o DNA. Não poderia ser diferente. O pensamento é que é produto do código genético. Suas potencialidades são determinadas por suas regras e não o inverso.
Escrito por wooddays às 11h57 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Chuva na cidade

Brasília cálida por causa de chuva caída ontem. Os gramados começam a se recuperar, verdes, verdes. Ficou um pouco mais frio e um pouco mais fácil viver. Horácio dormiu a manhã toda. Antes de sair deu tempo até mesmo para tocar piano. Nada para fazer, nenhum lugar para ir com pressa. Música no rádio do carro. Peão na quarta casa do Rei.
Escrito por wooddays às 11h47 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Picard, o tempo, o amor e São João da Cruz

Na noite escura da alma, não existe o tempo. A vida normal, as coisas, a passagem do mundo são apenas motivos, temas para a experiência do amor, cujo último limite está em Deus. Fico pensando a vida dupla insuportável de Picard, suas memórias de uma vida, cheia de emoções, condenada pela morte, sempre guardadas dentro de sua alma. Com a certeza igual de que, com sua morte, morrerão duas vidas. Esse é o escuro da alma, apenas redimido por Deus. Tudo ou nada. Pelo menos é o que diz São João da Cruz.
Escrito por wooddays às 13h21 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Para entender o que São João da Cruz quer dizer

Se você quer saber o que é o coração da existência, esse escuro da alma por onde Deus pode vir a falar, pode dar uma olhadinha nesse episódio de Jornada nas Estrelas, a nova geração: The Inner Light

"The Inner Light" is an episode of Star Trek: The Next Generation, from its fifth season. It is the favorite episode of Wil Wheaton. In German-speaking countries, the title of this episode is "Das zweite Leben" ("The Second Life").

This episode won the 1993 Hugo Award for Best Dramatic Presentation. The award was given at the World Science Fiction Convention in San Francisco. "The Inner Light" was the first television program to be so honored since 1968's Star Trek episode "City on the Edge of Forever".

In what is considered by fans to be the most touching of the episodes starring Jean-Luc Picard, the Enterprise-D is scanned by a space probe left behind by the people of a long-dead world, whose sun went supernova a thousand years or so prior.

When the ship is scanned, Picard is targeted and is rendered unconscious. During the half hour or so while he is unconscious on the bridge, he lives an entire simulated lifetime on the doomed world; he has a wife, children, a grandchild, and a place in the community, all while watching the planet slowly meet its fate. The purpose of the probe, we later learn, was to preserve the memory of the people and culture which once existed on the planet.

"The Inner Light" introduces us to Picard's beloved flute, which he learned to play during his life on the planet; the real flute is found inside the probe and Picard keeps it.

http://www.absoluteastronomy.com/encyclopedia/t/th/the_inner_light.htm
Escrito por wooddays às 23h13 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Busca espiritual

Seria injusto não reconhecer a fina observação dos fatos humanos exposta na Noite Escura da Alma. A necessidade de recolhimento que cada um sente, a natureza obsessiva da loucura amorosa, a sensação comum dos homens de que a vida é um percurso e, assim, é também uma busca, um progresso - estão todos lá. A introspectiva consciência do Ocidente para São João da Cruz não leva à noite formal do cogito ou ao amor intelectual de Deus. Não leva à mente, cuja sabedoria não tem nenhum valor, mas ao coração, que sente bem reais as dores, as angústias e a exaltação da existência. Mergulhar na Noite Escura da Alma é descer ao silêncio sem luz e sem som que nos habita, ficar lá dispostos em sossego e esperar pela voz de Deus. São João da Cruz não comete a imprudência de tentar descrever como é a voz de Deus, o que ela diz. Anota apenas os sinais de que a alma foi por ela tocada. Na verdade, lendo bem o que está escrito, nem tanto estão em questão as raízes judaicas da fé cristã, ou mesmo Cristo, mas a relação secreta entre Deus e a alma. Está falando da salvação, mas em termos derivados. O que lhe preocupa é como a dor da existência leva a alma à sua noite escura e como, uma vez lá, ela ouve a voz de Deus. Onde Descartes prefiria identificar verdades simples e naturais, São João descobria a paixão. Ele tem um ponto. Não creio muito em buscas espirituais. Por princípio, entendo que buscas espirituais são uma espécie de esperteza, um truque para fazer de conta que as dores dessa vida não existem. Uma escolha evolutiva de nossa espécie. Gosto de jogar a veras. Ainda assim, sinto que São João é mais autêntico que Descartes. Ninguém fica calmo e seguro no escuro, a não ser que, no fundo, não acredite nele.
Escrito por wooddays às 21h15 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Pedras brancas, pedras pretas

Diz a lenda que os etruscos mantinham um vaso em suas casas onde depositavam um pequena pedra branca, caso ao final do dia ele fosse considerado bom. Sendo ruim, não é preciso muita lógica para entender que depositavam uma preta. Por esse domingo, não depositaria nenhuma. Aborrecimentos e descanso se misturaram a tal ponto que tudo se cancelou. Sem pedras, brancas, pretas. Nem mesmo a virada do Flu sobre o Santos o salva.
Escrito por wooddays às 21h11 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Galpão crioulo

Comecei o dia na Casa do Gaúcho, no bom sentido, uma loja de produtos típicos do Sul. Vou lá sempre comprar botas para montaria que nunca tenho coragem de usar na equitação. Vou usando como sapato social. Depois veio um modesto speech em um encontro nacional de vereadores, seguido por um belo churrasco. O Galpão Crioulo não é uma churrascaria qualquer. Tinha show de danças gaúchas. No início, você acha exótico. Depois, respeita. Eles dançam com fações e lanças e qualquer leitor de Borges sabe o que significan essas armas. Bebi até chimarrão. Não pedi para botarem açúcar no mate. E havia mais. Nos aeroportos brasileiros, em uma clara falta de confiança na pontualidade dos vôos, agora há salas de cinema e terminei assistindo La Niña Santa, objeto de críticas maliciosas na imprensa brasiliense. A nível de filme argentino, não se compara, nem de longe, a Nueve Reinas ou ao Hijo de la Novia, não tem Ricardo Darín, nem moças peitudas, mas é bom para passar o tempo. O problema com o filme é que os dramas sexuais argentinos não fazem muito sentido no Brasil. Fosse o filme passado no Rio, a mocinha tinha ido aos finalmente sem dramas de consciência e tremores. Parece também que escolherem atores deliberadamente feios e até as mocinhas são meio mocréias. Cinco horas de viagem, escala naquela estranha cidade ao sul do país, estou de volta e bebendo meu vinho. Nada mau.
Escrito por wooddays às 22h17 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Água sobre rocha - II


Escrito por wooddays às 22h15 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Água sobre rocha


Escrito por wooddays às 22h14 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Rio Grande do Sul

Daqui a pouco estou indo para mais uma aventura política no Rio Grande. Grassroots politics, autêntica. Devo ficar sem blog no sábado. Devo chegar tarde e meio que arrasado pela semana. Política é o máximo.
Escrito por wooddays às 15h09 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Chuva, chuva

O blog mostra que o fim da seca, em 2004, veio no dia 11 de outubro. Esse ano, veio mais cedo: caiu o proverbial toró ontem, enquanto voltava para casa. A cidade começa a se recuperar. Pelos canteiros.
Escrito por wooddays às 10h13 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Memórias da Itália

Essas minhas notas de viagem sobre a Itália estão rolando há muito tempo na minha imaginação, em algumas folhas de papel, arquivos de computador, sem redenção aparente. Viagens à Itália são motivo de literatura menor há séculos, eu não ia perder essa chance. Li muito antes de viajar. O problema é que não há mais tempo como no passado, Goethe e Montaigne podiam passar meses penteando suas memórias. Hoje em dia, não há como. Vai de blog mesmo, com fotos scaneadas e referências ao sabor da memória. Goethe leria um blog? Piranesi escreveria um?
Escrito por wooddays às 17h12 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Vista do Coliseu

Desse "segundo andar" do Coliseu quase nada se vê, mas é o nada que é tudo. À direita estão o pódio e as colunas do pórtico do Templo de Vênus e de Roma, projeto atribuído ao próprio Imperador Adriano. Disseram, é verdade, que se a deusa se levantasse de seu trono bateria com a cabeça no teto, mas quem disse isso pagou caro a piada. À esquerda fica o platô onde repousava o trecho mais grandioso do Palácio dos Césares no monter Palatino, construído por Domiciano, a Domus Flavia. Pouco se vê além das fundações ao longo da encosta. É melancólico. Enquanto isso, os jardins da casa de Lívia sobreviveram, mas não dá para ver suas ruínas daqui. Ao fundo, o Arco de Tito, aquele mesmo com as esculturas dos candelabros judeus trazidos de Jerusalém. Em outros tempos, seria possível mesmo que a foto, no primeiro plano, tivesse a Meta Sudans, mas a fonte foi destruída. É uma das coisas mais melancólicas sobre Roma: a destruição prosseguiu ainda por muito tempo depois da emergência de uma consciência sobre o que era a cidade. Muita coisa se perdeu e ainda estava ao alcance da vista.


Escrito por wooddays às 12h31 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Templo às margens do Tibre

Templo de Portunus, para a proteção do porto fluvial que havia ali na antiguidade. Foi preservado porque transformado em Igreja. Mais tarde, a retirada dos complementos revelou uma magnífica construção do segundo século antes de Cristo. Tão antiga que, nos tempos imperiais, não se sabia mais direito a sua origem. É lindo, hoje pousado em meio a um jardim florido. Saímos perto do Circo Máximo e fomos caminhando até ele. Logo perto estão o tempo de Hércules, Santa Maria em Cosmedin e o arco de Jano. Joiás de arte e arquitetura só possíveis em Roma. O curioso é que as descrições do Plattner e do Coarelli não são muito entusiasmadas, mas visto de perto...


Escrito por wooddays às 12h30 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O amor, segundo o santo

"Y vese que la mayor pasión que siente en estos trabajos es este recelo; porque, si entonces se pudiese certificar que no está todo perdido y acabado, sino que aquello que pasa es por mejor, como lo es, y que Dios no está enojado, no se le daría nada de todas aquellas penas, antes se holgaría sabiendo que de ello se sirve Dios. Porque es tan grande el amor de estimación que tiene a Dios, aunque a oscuras sin sentirlo ella, que no sólo eso, sino que se holgaría de morir muchas veces por satisfacerle. Pero cuando ya la llama ha inflamado el alma, juntamente con la estimación que ya tiene de Dios, tal fuerza y brío suele cobrar y ansia con Dios, comunicándose el calor de amor, que, con grande osadía, sin mirar en cosa alguna, ni tener respeto a nada, en la fuerza y embriaguez del amor y deseo, sin mirar lo que hace, haría cosas extrañas e inusitadas por cualquier modo y manera que se le ofrece (por) poder encontrar con el que ama su alma (...) Pero esto tiene la fuerza y vehemencia de amor, que todo le parece posible y todos le parece que andan en lo mismo que anda él; porque no cree que hay otra cosa en que nadie se deba emplear, ni buscar sino a quien ella busca y a quien ella ama, pareciéndole que no hay otra cosa que querer ni en qué se emplear sino aquello, y que también todos andan en aquello. Que, por eso, cuando la Esposa salió a buscar a su amado por las plazas y arrabales, creyendo que los demás andaban en lo mismo, les dijo que, si lo hallasen ellos, le hablasen, diciendo de ella que penaba de su amor (Ct. 5, 8). Tal era la fuerza del amor de esta María, que le pareció que, si el hortelano le dijera dónde le había escondido, fuera ella y lo tomara, aunque más le fuera defendido." Noche Escura del Alma, Capítulo 13
Escrito por wooddays às 21h52 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Anfiteatro romano

Essa foto é um erro. Um pouco mais à esquerda e teria uma visão perfeita do Vesúvio. A humanidade não muda muito. É só notar as "cadeiras especiais" na primeira fila, bem próxima do espetáculo.


Escrito por wooddays às 13h42 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Cemitério em Pompéia


Escrito por wooddays às 13h42 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A paixão, o amor e a vontade segundo São João da Cruz ou quase isso

Ia escrever uma nota hoje sobre umas páginas impressionantes de São João da Cruz sobre o amor e a paixão, mas simplesmente não dá. Hoje está acontecendo de tudo por aqui. A noite escura da alma, hoje, não teria a menor chance.
Escrito por wooddays às 12h29 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Palestra pequena

Lembro-me que chegamos na palestra pequena quase no final da visita e por acaso. Uma pequena passagem liga o teatro à palestra e não é facilmente visível. A sorte é que no dia estavam ainda cortando a grama e fazendo um barulho razoável. Pelo que li, funcionavam pequenas lojas e depósitos de armas de gladiadores. O pátio era usado para treinos e exercícios. Hoje tem essa cor de ruína, mas certamente era todo pintado e decorado. A grama também deve ser invenção moderna. Apesar da destinação da construção, é um lugar de paz e beleza hoje. Emocionante mesmo.


Escrito por wooddays às 14h28 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Deveria fugir

O obelisco manda que eu talvez fugisse, mas não sou tão partes adversae assim. Nesse dia, estavam beatificando uns mártires espanhóis assassinados por comunistas da Guerra Civil Espanhol e o mestre de cerimônias, digamos assim, insistia em descrever o martírio dos sujeitos. Histórias de arrepiar os cabelos.


Escrito por wooddays às 14h25 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Como se já não bastassem os problemas normais da Etiópia...

Leões devoram 20 pessoas e aterrorizam o sul da Etiópia

Adis-Abeba, 20 set (EFE).- Pelo menos vinte pessoas morreram nos últimos trinta dias na Etiópia ao serem devoradas por um grupo de leões que invadiu terras próximas à fronteira com Quênia, informaram fontes oficiais.

O representante do Governo no distrito de Soro, Tadesse Gishore, disse à agência de notícias etíope Walta que os leões começaram a tomar posições ao longo do vale de Gibe no mês passado e que ficaram muito perto dos assentamentos humanos.

Contra seus costumes, acrescentou Gishore, os leões estão se movimentando à luz do dia e atacando as pessoas que fazem trabalhos agrícolas e de pastoreio. Além das vítimas humanas, já devoraram cerca de 750 animais.


Escrito por wooddays às 14h20 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Milagres e segredos

Quando você apenas guarda na memória o adágio da Suíte Terceira, é possível alimentar secretamente a idéia de que a música talvez seja melosa demais, cantabile como música pop, elementar talvez. Por isso, é preciso ouvi-la, não lembrá-la. Quando se ouve (como foi o caso de ontem à noite, quando corria pelas quadras), a atenção não fica tão concentrada apenas na linha melódica principal, aquela que gruda em seus neurônios, mas pode perceber o ambiente criado pelas cordas ao fundo. Elas claramente contam uma outra história, com o contexto exato em que deve ser ouvida a melodia principal. O drama de sentimentos se dissolve em uma reflexão mais pausada, talvez distanciada no tempo. O tema do adágio, portanto, é ele mesmo apenas a lembrança de um sentimento forte e talvez imaturo, agora amadurecido e repensado. Por isso é fundamental ouvir a peça e a peça inteira. Nos acordes finais é que se revela o otimismo existencial dessa música, apenas aparentemente obscurecido pela "tristeza" da melodia principal. É música outonal, sem dúvida alguma, mas é uma canção pacificada, de um coração que sofreu talvez de forma irrefletida e que agora olha com carinho para suas dores passadas. Tal como os versos famosos: "no futuro, talvez, será agradável relembrar desses fatos". Apenas a compreensão e o uso consciente da polifonia permite tais articulações. Por isso, eu sempre digo que a música de João Sebastião não é apenas música, é mecanismo e drama. Tais são o segredos, os milagres são outros. Há tempos estou convencido de que algumas de suas obras não são apenas música. Elas elaboram relações, estruturas, argumentos que estão além da música, além da sensação. Há algo "por trás", que pode ser sentido, se bem que não ouvido. O terceiro movimento do Oratório da Páscoa é uma dessas peças. O primeiro coral do Magnificat é outra. Em determinando momento, é muito mais que música. Isso é palpável e, diria mesmo, assustador. Afinal, o que está ali?
Escrito por wooddays às 12h01 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Calor de Brasília

Começa o sensacional sol de fim de ano em Brasília. Nada que se compare ao do Rio de Janeiro, mas há um forte perfume de verão no ar. Vem aquela sensação nas maçãs do rosto e, por causa da secura, uma certa falta de ar. Bom demais, entretanto. Se bem que, nas condições atuais, ando achando graça em tudo. Fosse um verão carioca, estaria sentindo um certo desânimo, antecipando o clima das onze horas da manhã na rua Voluntários da Pátria. Aqui, porém, nasce mesmo uma grande expectativa. Vou passar mais tempo fora de casa. No Pontão, por exemplo.
Escrito por wooddays às 11h52 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O riso inúmero do mar



Nunca conferi essa citação e nem convém. Não sei se li no Jaeger ou em algum escrito de Nietzsche, mas sei que o verso é atribuído a Ésquilo, um fragmento de peça ou coisa que o valha. Sei que é perfeito porque fala do inumerável que é o mar e fala do riso.
Escrito por wooddays às 22h08 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Atração turística






Escrito por wooddays às 22h04 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A resistível ascensão de Severino Cavalcanti

Voltei e Severino segue em sua cadeira. Ao menos até a quarta-feira, é o que dizem. Por conta dessa resistência, ganhei uma champagne, a ser consumida no Yours. Não é nada, não é nada...
Escrito por wooddays às 13h10 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O que era doce acabou

Fim de férias. Apenas uma semana, ainda assim gloriosas férias. Cheguei a uma conclusão. Preciso urgentemente ficar rico e parar de trabalhar. Ficar à toa. Circulando pelo Rio, Brasília ou Paris. Não precisa mais do que isso não, coisas simples.
Escrito por wooddays às 13h08 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A solidão da razão

Outra leitura desses dias de férias foi "What Evolution is" do Ernst Mayr, o professor emérito de Harvard. É ideal para salões de embarque cheios e vôos curtos. Pode ser lido com uma das mãos. Acho que algumas pessoas pensam que se trata de livro de auto-ajuda. Mayr é autor de obra clássica sobre a síntese darwiniana e o texto apenas realça aqui e ali as conclusões mais fundamentais da teoria: a sua unidade de análise (as populações e não as espécies) e o significado do indivíduo (entidade geneticamente única). A vida, sim, em sua configuração atual é fruto de um código determinista (os genes) e de um processo casual (a seleção natural). O resto é derivação e o mundo vivo das criaturas unicelulares é tão variado e amplo quanto o das pluricelulares. Acaso e determinismo todo o tempo. Sem destino, sem rumo à perfeição. O momento mais belo do livro é sua resposta à pergunta: estamos sós? Mayr não recua. A vida pode ser um fenômeno comum, mas a razão e a consciência seriam bem mais raros. Seres inteligentes podem existir, de fato, mas apenas no espaço profundo. Para qualquer finalidade prática, portanto, estamos sós no Universo.

Escrito por wooddays às 22h55 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Onde está o mal?

No final de Matrix Revolutions, o anjo da Luz inverte a definição do Evangelho ("Esse é o meu mundo!") e pergunta ao Salvador por que ele insiste. A resposta é "assim o quero", mas sua direção é outra: o mal está fora de mim e ele não prevalecerá. No Evangelho, essa é a grande vantagem de Cristo sobre os demais: ele não teme a morte. Sabe que a redenção virá dessa morte e que o mal não tem nenhum poder. Matrix, contudo, expõe apenas a versão gnóstica da redenção cristã, denunciada há tempos pelo Harold Bloom. O cristianismo canônico tem outra abordagem para o mesmo problema porque não pode aceitar que a criação seja obra do mal. Assim venho pensando por causa da Noche Escura del Alma. Vivesse hoje, São João da Cruz seria um fino psicólogo, capaz de detectar e mapear as mais variadas formas de mal estar com a existência. Vivendo há quatrocentos anos atrás, porém, encontrou na mística uma solução mais robusta. A Noche Escura é a destruição gradativa das ilusões humanas, essas sim a verdadeira fonte do mal. Uma vez purgadas e destruídas, a alma estará pronta para o contato com Deus. Um processo assintótico, como é fácil adivinhar pelo que escreve. Ainda assim, iniciado o processo curativo da noche escura del alma, a criação passa a ser contemplada de forma transfigurada, o mundo externo visto sob outra luz. As cores não são mais apenas as cores, os sons também e assim por diante. Não fica evidente, mas ele volta a ser o Paraíso do Senhor, visível para quem tem olhos para ver.

Escrito por wooddays às 10h33 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Resumo de viagem


Escrito por wooddays às 21h12 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Missão francesa





Antes de vir ao Brasil, Taunay era um pintor quase neo-clássico, caracterizado por pequenas telas, com temas por vezes mitológicos, certamente influenciado pelos artistas franceses marcados pela experiência da redescoberta de Roma. Não deixa de ser fascinante imaginar que as massas escuras de árvores, que abrigavam deuses e deusas, na imaginação de Taunay vieram a confundir-se com a sombra das matas da Tijuca quando o dia cai. Confusão propiciada por um monarca de gênio e por um diplomata português vagamente bandalho. A tela abaixo é puramente imaginária naturalmente, foi pintada por Taunay em 1810 e está em um museu de Los Angeles, aquele mesmo.


Escrito por wooddays às 21h11 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A vertigem da nitidez




As asas de um anjo, o infinito manto de um anjo, não como sugestões, mas como objetos precisos. As cores exatas como há seiscentos anos. O vaso de flores, à venda ainda talvez. Os entalhes na madeira do banco. Uma garrafa com óleo, frutas, vasos e fechos de metal. Janelas, vidros. Nenhum deles é mais pintura, aspiram ser objetos. Um exercício anterior à perspectiva, à matemática, fruto de uma ambição agressiva e nova, reproduzir o real visto, oferecer uma prova da concretude da realidade visual. A pintura reproduz as coisas e as coisas são apenas pinturas. É a anunciação, mas anunciação de que? Emoção produzida pela nitidez talvez seja uma invenção desse sujeito aí, Rogier van der Weyden, Rogério dos Campos.


Escrito por wooddays às 22h03 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Barra da Tijuca, cinco horas da tarde


Faz pensar nas quase infinitas possibilidades dessa paisagem, a cada hora, a cada dia diferente.

Escrito por wooddays às 13h48 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





As trilhas da Floresta



Parece interessante, mas é puramente ilustrativo.

Escrito por wooddays às 13h45 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A textura da Floresta



É a floresta vista da Cascata Taunay. A sombra da tarde a torna magnífica.
Escrito por wooddays às 13h43 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





As águas estavam no alto

Aproveitei e fui à Floresta. Uma gigantesca e agridoce madeleine. Fascinação da infância profunda, lugar de bons momentos e outros nem tanto. Como todas as florestas, aquela tem sua sugestão de horror. Se você está bem, ela é gloriosa. Se sua alma assombra-se com o tédio da existência, a floresta responde com sua amoral existência inumana. Houve época em que estava cheia de despachos com animais mortos. Em certo lugar, foi filmada a cena em que São Jorge aparece para buscar um bicheiro. Existem fantasmas lá, assim como gambás e macacos. Para mim, ela não tem fauna, tem um bestiário. Mais que outros lugares da cidade, a Floresta para mim tem uma mágica maior, no sentido negativo das coisas que não controlo, que são maiores que eu. Sei bem a razão. Naquele silêncio, pensei muito, meditei muito. Muitas vezes me diverti, muitas vezes as tempestadas de alma se abateram sobre mim com fúria. Não volto à floresta impunemente, sei bem o que me aguarda lá. Vivendo há anos em Brasília, passear nas suas trilhas funciona primeiro como aventura divertida, depois como brincadeira meio sem graça, piada repetida demais, para esconder outra coisa, uma falta que não se deve enunciar. O tempo passa e é preciso morrer, é preciso aceitar que as coisas estão mortas. A Floresta não deixa. Hoje na volta vim pensando que a tolero por causa de seus rios e cursos d´água. Há muita água em volta sempre e água corrente. Essa água me promete limpeza, esses rios podem me levar para outro lugar já que eu mesmo não tenho forças. Quero repetir coisas, fatos, pessoas, mas é preciso passar, passar, chegar adiante e, depois, ao mar.


Escrito por wooddays às 22h03 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A compreensão do Rio

Tecnicamente, a coisa toda não começou bem. Estava calor, ampliado pelo terno, difícil encontrar uma vaga para estacionar em Copacabana, fiquei mesmo com medo de dar algum chabu, mas o pessoal do Copa Palace terminou resolvendo a coisa. Guardaram o carro lá em algum lugar, fui para minha palestra "com investidores", fiz meu trabalho. As coisas se ajustam, terminam se ajustando. Na volta do Barrashopping, um engarrafamento espantoso. Meio que empurrado, fui indo pela Linha Amarela e decidi então ir ver meus pais. A família ainda está meio abalada com a morte de minha avó, mas a vida se renova, sempre. A Milena, a gatinha velha de meu irmão, que sempre foge de mim, hoje se aproximou e deu suas miadinhas. Estranho isso. Muito estranho.
Escrito por wooddays às 21h54 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Vale três pontos??

Titulares do Fla vencem os reservas por 2 a 0


GloboEsporte.com

RIO DE JANEIRO - Os titulares do Flamengo derrotaram nesta quarta-feira os reservas por 2 a 0. No primeiro coletivo da semana visando a partida contra o São Caetano, no Luso-Brasileiro, Renato e Diego Souza marcaram os gols da vitória.

Escrito por wooddays às 22h11 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





No Rio, onde mais?

Mal cheguei na cidade, tinha uma blitz (autêntica) no início da Linha Vermelha. Suspense. Nada demais. PMs mostrando serviço. A visão da Lagoa, à noite compensa tudo. Quando entrei em Ipanema, no rádio do carro cantava o glorioso Tutano Manhoso: "Você é linda! Você é linda, sim! Essa canção é só para dizer e diz!". É a canção para a cidade do Rio de Janeiro.
Escrito por wooddays às 22h02 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Neve em Brasília

Foi uma pequena precipitação, mas ainda se via neve hoje cedo na 115 Sul.


Escrito por wooddays às 16h32 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Untergang

Ontem afinal acabei assistindo o filme sobre as últimas horas de Hitler, Untergang. Em si mesmo, ele impressiona porque os fatos são impressionantes. O cerco ao bunker, as traições desesperadas e sem sentido, o assassinato frio dos filhos de Goebbels por sua mãe, Hitler encurralado, mas o que separa o filme de um documentário? Talvez o orçamento e algumas cenas com moças sem sutiã. Que Hitler e Goebbels eram humanos, no sentido técnico da palavra, nunca foi objeto de dúvida. Apresentá-los como tal é um truque que não rende muito. Hitler encurralado também não é um visão dramaticamente eficaz. Ele se encontra em tal posição por seus erros, por sua ambição, por seus crimes inomináveis. Como o filme não trata disso, mas apenas dos últimos dias, alguém que não conheça a história apenas contemplará um drama de decadência e morte do tirano, um Trauerspiel. As barbaridades da queda de Berlim, por sinal, são todas cometidas por alemães. Os russos são polidamente poupados e não me lembro de ter visto um soldado do Exército Vermelho matar pessoalmente ninguém. No fundo, também são cenas de documentário, devidamente dramatizadas. Continuo pensando no filme, mas acho que vive também sob a lógica do "buraco negro" do III Reich. Não sendo possível atribuir à "raça" germânica um atavismo criminoso, não sendo possível atribuir culpas a nações e não sendo crível que Hitler e Goebbels fossem encarnações do mal filosófico, nem criaturas da insondável providência divina, fica-se no trivial de uma infeliz cadeia de circustâncias. Cujo último elo é um pobre diabo. Ainda assim, acho insatisfatória essa descrição. Duas palavras finais. A simples descrição cinematográfica dos fatos no bunker termina mostrando os personagens praticando atos de bravura, desprendimento e coragem. Estavam à altura de suas idéias ou simplesmente encurralados? A primeira hipótese os deixaria com algo honorável. Outra coisa. Bruno Ganz está bem como Hitler. Não há dúvida quanto a isso. Por fim, o autor de Red Storm on the Reich, sobre os últimos meses de guerra, escreveu mais ou menos o seguintes: esses fatos terríveis pertencem à agonia de uma entidade e agonias nunca são bonitas de ser ver. Em resumo, é um processo natural apenas, não encerra lições morais. Talvez seja possível dizer apenas isso.
Escrito por wooddays às 07h40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Férias - day two

Acordei depois das dez da manhã e isso diz muito. Fiz minha corrida ouvindo o magnificat e também your song. Acabei de fazer o menino Horácio dormir. Ele resiste, chora um pouquinho, mas dorme como um bebê. Eu não resisto, nem choro, mas durmo também como um bebê, para inveja de muita gente por aqui.
Escrito por wooddays às 13h02 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





As a long winged hawk

Em suas primeiras frases, a terceira parte da Seção 2 da Parte Dois, deixa imediatamente entrever alguma coisa diferente. Entrando nos domínios do ar, apresenta-se Burton como um falcão erguendo-se nos ventos, deixando distante a sua melancolia. Como se a bordo de uma espaçonave, Burton volteia de forma inesperada por todas as regiões da Terra (... and that miraculous Mountain Ybouyapab in the Northern Brazil...) e por todos os enigmas do mundo, inclusive esse maior, o da infinidades dos mundos e aquele outro dos mundos sob o mundo (...to descend & see what is done in the bowels of Earth...). Não o faz de modo ordinário. Seu estilo prolixo explode em citações, interrogações, fascinação, documenta um fenômeno sem explicação aqui, aventa razões inesperadas mais adiante, em círculos contínuos de palavras, autoridades, textos, lembranças. Hoje ia lendo o Spleen de Paris enquanto tomava um café no Bellini e dei com a recomendação do poeta, afirmando que devemos nos embebedar, do que for, mas nos embebedar. Burton, de fato, embebedou-se de conhecimento e livrou-se de sua circunstância de tempo e de espaço, embebedou-se das perguntas que realmente importam, das dúvidas cuja solução bem valem uma vida. Examinou as pirâmidas, a fauna da Cítia, as tempestados do Atlântico e do Pacífico, dos Meteoros, dos Cometas, da consistência de orbe, conversou com Galileu, com Platão, com Tycho Brahe, com Johannes Kepler, e com dezenas de outras cujo nome a história mal registra. Subitamente, porém, retorna (... But my melancholy spaniel´s quest, my game is sprung, and I must suddenly come down & follow...). Vai se conformando a tratar do efeito dos "ares" sobre a melancolia e recomenda a frequência de lugares elevados, de onde se possa ver muitas gentes, ruas, barcos, velas, rios, mares. "But I rove: the sum is this, that variety of actions, objects, air, places, are excellent good in this infirmity and all others, good for man, good for beast". (Burton, pág 438) A melhor cura para a melancolia, assim, é seu próprio livro ou antes sua busca contínua de coisas, pessoas, livros, palavras, vidas, passado e presente.
Escrito por wooddays às 22h08 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Férias - day one

A coisa começou bem e já resolvi centenas de pequenos problemas domésticos e pessoais. Nada como ficar à toa. Vou tomar um vinho, depois vou correr, depois vou dormir. É como Mastercard: não tem preço!
Escrito por wooddays às 12h03 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





80 centímetros

Obstáculo a 80 cm no último salto. É ridículo eu sei. O cavalo nem precisa saltar a veras, pode "passar" por cima dele, contudo, é sempre uma emoção. A rigor, "errei" apenas um salto em oito, me adiantando na sela antes do tempo exato. De resto, sol maravilhoso, dia idem. Podia ficar ali mais umas duas horas saltando.
Escrito por wooddays às 13h07 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Noite escura

"... que a tanto llega la bajeza de nuestro apetito, que nos hace desear nuestras miserias y fastidiar el bien incomunicable del cielo". Noche Escura del Alma, livro 1, capítulo 9. Há uma persuasão íntima na degradação, escreveu Burton pouco depois.
Escrito por wooddays às 09h13 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Referência bibliográfica

De inferno et statu daemonorum ante mundi exitum libri quinque … authore Antonio Rusca Mediolanensis, Collegi Ambrosiani doctore (Milan: Ex Collegi Ambrosiani Typographia, 1621). Rusca, later to be the diocese’s vicar general, was also the brother of Sister Claudia Francesca Rusca (ca.1593–1676), the organist of the convent of S. Caterina in Brera, whose Sacri concerti would be published in Milan in 1630. A citação é de Burton e de Robert Kendrick. "What’s So Sacred about “Sacred” Opera? Reflections on the Fate of a (Sub)Genre". Journal of Seventeenth Century Music, volume 9, número 1. Não consigo achar esse livro em lugar nenhum da internet. Nem na Ambrosiana.
Escrito por wooddays às 22h15 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





The Holy Grail

A Busca não é o melhor filme do Monthy Pyton. Não tem a grandeza quase filosófica de "E agora para algo totalmente diferente" ou a genialidade de A Vida de Brian, recentemente considerado o melhor filme inglês de todos os tempos. Ainda assim, contém talvez a melhor piada do grupo: aquela da vaca, lançada pelos franceses do castelo. Ouve-se a voz do Chapmann com a entonação perfeita: "Jesus Christ!". E ela prossegue com o "Coelho de Tróia", igualmente lançado pelos ares. Ia almoçando hoje e pensando nisso. Humor é fundamentalmente performance, ator. Há textos engraçados, Aristófanes, Woody Allen, mas é outra coisa ver a piada viva, em cena. É o caso da vaca. No papel, não funcionaria.
Escrito por wooddays às 21h46 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Justice as fairness - II

Não falei? Severino não tem porque renunciar. Se todo mundo faz de conta que acredita que Lula é inocente, que Dirceu não sabia de nada, que Palocci é uma vestal, por que Severino deve renunciar? Provas? Pior para elas. Negará, negará, até o final. De um lado, estão sendo criadas condições para uma verdadeira lavagem, arrastando todo tipo de maroteira e mensaleiros. De outro, cria-se também a possibilidade de uma inédita e sensacional desmoralização da política, da esquerda e dos governos. Maquiavelismo exige segredo. À luz do dia, provocará um desnudamento final das instituições no Brasil.
Escrito por wooddays às 21h40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Nem sei o que pensar

São quase cinco e meia da tarde, o proverbial ouro das tardes cai sobre os prédios de Brasília e as tarefas ordinárias do escritório foram encerradas. Falta apenas a conferência da tradução do texto maior, mas a língua inglesa não é muito exigente. Faço já. Escrevo aqui tentando captar um momento de pura antecipação, proximidade de férias que nem são tão férias assim, mas ao menos a posse de mais horas de meu dia. O melhor da festa é esperar por ela, diz-se, e espero francamente que não seja verdade.


Escrito por wooddays às 16h26 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Justice as fairness

Nosso querido presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, decidiu, muito justamente resistir. Se querem "provas" para condenar Lula e os quarenta ali babás do PT, porque exigir grandeza e resiganção de Severino. Ele também é nordestino e homem do povo! A lição sobre o sistema político brasileiro, porém, é profunda. Em nome dos 19% de juros, começa-se fazendo de conta que Lula é inocente. Então é preciso fingir que Dirceu também é inocente. Por fim, agora terá de ser sustentado que Severino também seja. É fácil perceber que o ladrão de galinhas, pego com o saco de penosas numa viela escura, dirá: exijo provas! Essas galinhas são apenas caixa dois de campanha eleitoral!


Escrito por wooddays às 12h34 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Passagens para o Rio

Chegaram pelo e-mail as passagens para o Rio. Em plenas férias da semana que vem. Que mais, vida eterna, me planejas?
Escrito por wooddays às 12h32 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





As letras árabes

Um certo escritor argentino afirmou muitas vezes que, graças a Deus, a beleza é uma coisa comum. Entendo bem o que ele quis dizer. Em matérias de coisas belas e cotidianas, poucas se comparam às letras árabes. É um gesto tão simples escrever; com elas, deve ser fascinante. Ideogramas orientais são confusos, desenhos decadentes que são. Letras ocidentais são regulares como exércitos. As letras árabes tem a eterna ousadia do traço. É possível decorar palácios inteiros, dos mármores aos azulejos, com essas maravilhas.


Escrito por wooddays às 12h29 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O nariz das mulheres

Há muita disputa sobre isso, mas a beleza feminina exige narizes afirmativos, se é que me expresso bem. Podem ser grandes, podem ser pequenos, mas precisam representar algo mágico ou mesmo imprevisto. Em tudo que é belo, há algo que merece ser sabido.


Escrito por wooddays às 12h28 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Nostalgia da Sicília

Ao longo de 2002 planejei com cuidado uma viagem à Sicília. Era uma tentiva de fugir de problemas pessoais de forma flamejante, como um Dimitri Karamazov de subúrbio, mas as recomendações eram várias. As praias, a ilha de Lampedusa, o teatro de Taormina, Agrigento, as igrejas barrocas, o sol. Comprei mapas rodoviários, guias turísticos, estudei opções de itinerários. Via-me quase como um personagem de filme francês, aqueles em que o personagem anda de carro, de camisa branca, sozinho pelo mundo. E ia sem mulher para evitar, ao mesmo tempo, problemas e despesas. Nada aconteceu, porém. Não fui, resignado a programas possíveis em praias do Nordeste que, como se sabe, não estão próximas de templos gregos. Não reclamo e restou por fim uma nostalgia da Sicília, que continuo estudando. Uma viagem que certamente farei não sei quando. Enquanto isso, vou bebendo aqui os vinhos da Sicília. Não vou fazer comentários, porém, sobre vinhos porque assinei um termo de compromisso autorizando meu irmão a me internar caso mostrasse sinais leves de "enologismo dialético".
Escrito por wooddays às 20h38 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Ilusões do feriado

Senti falta da Veja. Ia procurar mais escândalos envolvendo a atual administração, mas hoje é apenas uma quarta-feira. Sensação estranha em um dia magnífico. Quase fez frio, encoberto. Não fiz muita coisa, senão tomar conta do Horácio. Ele foi generoso, acordou tarde, ficou vendo televisão a manhã toda e depois dormiu. Fui passear, voltei e ele ainda dormia. De resto, horas que bem podem se somar à felicidade ordinária da vida. Tudo na hora certa, sem atropelos, pude dormir de tarde até, com Horácio. Agora a mãe chegou, a biologia fala mais forte, está lá aconchegado e fazendo pirracinhas. A eternidade poderia ser toda assim.
Escrito por wooddays às 20h22 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Segredo da paixão

Já descrevi nesse blog minha conversão pessoal à música de João Sebastião. Fui há muito tempo atrás, em Sepetiba, enquanto se prolongava uma daquelas inúteis férias dos onze, doze anos. O mundo me parecia, naquele tempo, quando eu era bem mais cético e rigoroso que hoje, uma vasto teatro de marionetes feias e perigosas. Olhava meus parentes e as pessoas mais velhas com o temor sentido por um servo diante de seu senhor feudal. Meu único consolo é que a maioria me parecia vagamente ridícula. A sensação de participar de um show de variedades com péssimos atores, seja como for, não é positiva. A música de João Sebastião me parecia assim como uma pátria distante, onde as maravilhas eram possíveis, onde não havia concessão à estupidez do mundo. Claro, eu tinha doze anos e, nessa idade, a gente é rigoroso demais com parentes e colegas de escola. Essa conversão veio na forma da Tocata e Fuga em ré menor, que venho agora tocando em uma versão para piano. Estou achando engraçado demais. A cada compasso, vou mer perguntando: que diabos ele quis dizer com isso? Em três deles, a melodia segue, enquanto a mão esquerda toca apenas um lá natural. É uma pequena escala ascendente, seguida de outra descendente, mas alternada, enquanto a mão esquerda toca o lá. Obstinada música, intensa e dolorosa. Eu acho pura mágica. Toco, toco, incomodo os vizinhos, irrito a patroa que não consegue tocar nem apito, mas quando termino esses compassos não posso evitar a rodrigueana "cava gargalhada". É bom demais. É como fazer amor com uma mulher que sempre se desejou em segredo...


Escrito por wooddays às 13h03 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Vida severina

Era o que faltava. O nosso presidente Lula não tinha mesmo opção, mas terminou abraçado com o Severino Cavalcanti. A política brasileira virou um show de final de ano, com o Roberto Carlos cantando em um trio com uma dupla caipira para, juntos, ofenderem a língua portuguesa. E músicas românticas, sobre um caso de amor bem popular, da Mariquinha com o Nhô Quim. O país não tem mais solução. Até a Argentina virou opção.
Escrito por wooddays às 12h49 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Véspera de feriado, véspera de férias, véspera de viagem

Sol em Brasília, acompanhado da sensação de que tirei o bilhete premiado. Véspera de feriado, dia de paz em casa, véspera de viagem ao Rio de Janeiro, véspera de uma semana de férias, depois de quase dois anos. É muita areia para o meu caminhão. Para completar, a patroa viajou para um congresso de história historicizante numa perspectiva historicista em uma cidade de cuyo nombre no quiero acordarme. Não deixará de lamuriar e reclamar, mas vai estar entre professores, especialistas nesses dois esportes não olímpicos. Esse entusiasmo todo talvez se deva a uma longa noite de sono e ao vinho sicialiano bebido ontem. Sendo assim, tanto melhor porque a garrafa ainda está na metade e geladinha. Ê vida.
Escrito por wooddays às 12h42 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A muralha da China


Escrito por wooddays às 12h25 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O sentimento da honra

Quem é você? No final, Barton vai deixando entrever a pobreza de um eu entendido e reconhecido como fruto de um processo de auto-conhecimento. O indivíduo é fruto de um combate (ou deveria ser), um combate de verdade, onde se está sujeito à vergonha porque entranhado pelo sentimento de honra ("we are here not because we are free, but because we are not free..." diria o agente Smith). Um combate contra muitas coisas e muitas pessoas, vivendo na corda bamba. Segundo Barton, é esse o contraste entre a experiência gnóstica, reflexiva, centrada no eu secreto, e a finita experiência da honra, baseada na economia emocional do confronto. Interessante notar como, no final, Barton também não consegue fugir ao seu predicamento. Disse que ia estudar os romanos do final da República em seu próprio nome e não como antecipações de nossas realidades na república contemporânea. Não sendo nós, eles, os romanos de Barton, são, contudo, nosso espelho, nossa imagem invertida, a nostalgia secreta de uma vida mais autêntica. Sou fascinado por essa hipótese: na experiência ocidental, as figuras de liberdade, política e pessoal, não conseguem fugir da Roma de Cícero, César e Augusto. Como se estivéssemos presos em um drama, capazes somente de repetir suas falas e seus dilemas. Com outros cenários, mas os mesmos dilemas.

Roman Honor - The Fire in the Bones não tem a mesma graça inventiva de The Sorrows of Ancient Romans. A professora Barton parece mais interessada em deixar sua erudição acima de qualquer dúvida, do que em recortar a realidade de uma nova forma inteligente. Repete-se (o episódio das Forcas Caudinas vai e vem....), gasta notas extensas como um Max Weber de saias, deixa de lado algumas sugestões interessantes, fala em psicanálise, mas o livro continua ainda assim saboroso. Não fuja do combate, dizem os romanos, fora do campo de batalha não há salvação para o espírito. A carne já está condenada de antemão.


Escrito por wooddays às 11h58 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O pátio da chancelaria

A Segunda Guerra Mundial na Europa terminou nesse cenário nada grandioso. O pátio da chancelaria em Berlim.


Escrito por wooddays às 11h55 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Reflexões inevitáveis sobre Matrix Reloaded

Venho passando boa parte do dia tomando conta do Horácio em meu quarto e várias vezes sou forçado a apelar para um DVD bem barulhento para ver se destraio o menino. Como disse definitivamente o Millor, se você não pode convencer, confunda. O truque com os potinhos se esgota, ele não gosta mais dos bichos de pelúcia e dá muito trabalho fazer a ronda dos armários com o menino. Fico sempre com medo de que ele seja afetado por algum fungo desconhecido. Assim, ficamos vendo primeiro o DVD Bichinhos, cujo conteúdo humanístico me parece ralo não fosse a música da borboleta ("borboleta pequenina/ saia fora do rosal/ venha ver quanta alegria/ que hoje é noite de Natal). Em determinado momento, portanto, acabo retornando ao Matrix Reloaded. Com seus tons puxados para o verde e muita pancadaria, é perfeito para atrair a atenção do Horácio. De tanto ver (devo estar na trigésima vez), vou chegando a algumas conclusões. A primeira, atribuída, aqui em casa, ao ressentimento é que Keanu Reeves é muito mal ator. Como passa o filme meio vestido de Zorro, não se nota o fato à primeira vista, mas depois da trigésima vez... Há dois confrontos emblemáticos. O primeiro deles com o Weaving/Smith no pátio onde lutam. Weaving enche suas falas de ambiguidade, deixando entrever que seu personagem é outro já e também que busca algo que não conhece, no fundo, porque está com medo de quem se tornou. Interpreta de óculos escuros, usando apenas a voz. Keanu faz apenas ironias. O segundo embate é com o Merovingian no restaurante francês. O sujeito dá uma aula de sutileza, Keanu faz esgares. Talvez eu esteja de implicância, não sei. Horácio gosta também da cena com o Arquiteto, o que me levou à segunda conclusão. O texto não permite apenas uma leitura gnóstica. A anomalia e a flutuação da equação que dão origem a Neo podem ser resultado de um fato bastante trivial: as máquinas, mesmo avançadas, são um produto da mente humana, trazem a marca de seu criador e não estão livres, portanto, de sua lógica falha e de outros determinantes secretos, como a busca da redenção. Há um labirinto circular: ao tentar aprisionar a mente dos homens, as máquinas também estão submetidas à sua lógica de uma forma ou de outra. Nesse caso, o argumento de Matrix ao se tornar realmente inteligente apenas copia o episódio do Duque em Dom Quixote. Querendo iludir, enganar e se divertir com Don Quixote, o Duque, na verdade, vai percebendo que está enredado nas fantasias do outro. E, em matéria de crença em fantasias, Quixote é muito superior ao Duque. Há mesmo uma outra leitura: as flutuações na equação são produzidas porque a matemática concebida pela mente humana não consegue evitar contraditoriedade, como provou o nosso querido Kurt Goedel. Pela extensão dessa nota dá para perceber quanto tempo gasto tomando conta do Horácio. É possível mesmo inverter a coisa: é ele que toma conta de mim, me forçando a ficar mais à toa e mais reflexivo. Como aquela raposa do sonho de Kafka, mas isso é uma outra história.
Escrito por wooddays às 22h02 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





The Rise and Fall of Southern Republicans

Razões para o declínio de Gingrich: "As Fenno has cogently argued, the House Republicans were completely without practical experience either in ´interpreting´ their victory or in knowing how to govern astutely. Part of their misinterpretation may have been rooted in confusing the agendas favored in their very safe districts with those preferred in the entire nation. The Republicans´ House leadership was far too southern, far too conservative, and, indeed, far too southern conservative to serve as unifying force in the nation. Once the euphoria of the 1994 surge subsided, it was increasingly clear that the Republicans would have a difficult time maintaining their narrow majorities. In a fashion that would surely have flabbergasted Sam Rayburn, Gingrich proclaimed ideological victory and cashed in on his metheorical celebrity with book deals before he was even sworn in as Speaker of House. There were abundant early-warning signs of imature leadership skills". (Black and Black, The Rise of Southern Republicans, págs 395-396)
Escrito por wooddays às 21h52 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Anotação de diário

Continuo melhorando. Hoje fiz os percursos da hípica com grande confiança. Não era lá um cavalo excepcional, mas foi bem a coisa. Gostei mesmo de sentir confiança, de não sentir medo. Horácio aproveitou o dia e também decidiu engatinhar para valer mesmo, pela primeira vez. Estava bem orgulhoso agora há pouco, circulando pelo quarto também com confiança. Dia maravilhoso em Brasília, quente, cheio de verão.
Escrito por wooddays às 21h49 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





As promessas do Rio de Janeiro


Escrito por wooddays às 20h22 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Fato filosófico e humano fundamental

"Researchers working at the frontiers of many sciences use mathematical and
theoretical prostheses to expand the range of phenomena that can be studied,
escaping some of the limits of their evolutionary history and its
neurological endowment. The startling truth is that we live in a
neurologically-generated, virtual cosmos that we are programmed to accept as
the real thing. The challenge of science is to overcome the constraints of
our neurological wetware and understand a physical world that we know only
second-hand and incompletely. In fact, we must make an intuitive leap to
accept the fact that there is a problem at all. Common sense and the brain
that produces it evolved in the service of our hunter-gatherer ancestors,
not physicists and cognitive neuroscientists. Unassisted, the brain of
Horgan or any other member of our species is not up to task of engaging
certain scientific problems.
Sensory science provides the most obvious discrepancies between the physical
world and our neurological model of it. We humans evolved the capacity to
detect a subset of stimuli available to us on the surface of planet Earth.
Different animals with different histories differ in their absolute
sensitivity to a given stimulus and in the bandwidth to with they are
sensitive. And some species have modes of sensation that we lack, such as
electric or magnetic fields. Each species is a theory of the environment in
which it evolved and it can never completely escape the limitations of its
unique evolutionary history. But the problem of sensing the physical cosmos
is even more complicated, because we do not directly sense physical stimuli,
but are aware of only their neurological correlates. There is not, for
example, any "blue" in electromagnetic radiation, pitch of B-flat in
pressure changes in the air, or sweetness in sucrose. All are neurological
derivatives of the physical world, not the thing itself."
ROBERT R. PROVINE
Psychologist and Neuroscientist, University of Maryland; Author, LAUGHTER

Tal avaliação é válida para tudo o que se refere ao único sentido possível para a natureza humana. Só faz sentido discutir tal coisa quando pensada como fruto do processo de evolução natural. Fora disso, é imaginação. Então, o ponto seguinte é: qual a posição da razão na evolução? Em que medida a razão pode nos fazer ir além das habilidades legadas pela evolução?


Escrito por wooddays às 13h18 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Contagem regressiva

Quatro dias para as férias, duas semanas para a viagem ao Rio, vamos em clima de contagem regressiva. Parece que tirei o bilhete premiado. Ando mesmo pensando em pegar uma diária no Blue Tree para tomar uns banhos de piscina. Agora que o pessoal do PT parou de distribuir dinheiro e comer puta no hotel, o clima lá pode ter voltado à normalidade.
Escrito por wooddays às 13h12 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Earl Black, Merle Black

"´Now we have a competitive, two-party environment,´ Tennessee Republican Lamar Alexander observed in 1994. ´Whe we have the issues, we have the candidates and we have the money, we can win. But we can just as easily lose and we need to keep that in mind´. Hence the Republicans´ southern breakthrough in the 1990s should not be mistaken for a permanent Republican advantage. Neither party can afford to take the South fro granted. Whether or not the Republicans maintain their southern majority in the Senate, the Reagen realignment has allowed them to become genuinely competitive in statewide elections" (Black & Black. The Rise of Southern Republicans, Cambridge, Harvard University Press, 2003, pág 327). O curioso é que, por um acaso do destino, eu estava em Washington no election day de 1994. Após dois anos de desastroso governo Clinton, os democratas tomaram uma lavada histórica, perdendo o controle da Câmara. Eu fiquei muito impressionado. Newt Gingrich estava brilhante nos discursos da vitória: "Ser francês ou ser alemão é um produto da história, ser norte-americano é uma decisão individual!". Fiquei achando que teríamos Gingrich presidente. Em dois anos, tudo sumiu, inclusive ele mesmo. Política. We cannot revive old factions, we cannot follow an antique drum... diz o poeta.
Escrito por wooddays às 14h55 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Me, Myself and Horatio

O título é por causa do filme do Jim Carrey. A melhor cena de humor dos últimos vinte anos. Aquela mesmo da vaca atropelada que se recusa a morrer de tiro. Choro de rir com a cena, mas ontem ri muito também com Horatio. Botei o homem para brincar com água na pia do banheiro, si froid. Pensei melhor e enchi a banheira dele com água quente no box e ficamos ali nos molhando bem uma meia hora. Ele se divertia demais, fazendo uma confusão imensa de gritos e água. Chegou, porém, a hora de acabar com a brincadeira. Como ficou revoltado! Chorava, gritava, dormiu em cinco minutos. Ri muito da revolta libidinal do sujeito, cada vez mais cheio de si.
Escrito por wooddays às 12h14 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Salve o querido pavilhão

Um a zero no Santos até os 38 do segundo tempo. Empate com o Santos até os 44 do segundo tempo. Derrota para o Santos por dois a um. Chega-se aos pênaltis. O Santos perde, o Flu joga a bola na trave. O Santos perde de novo. O Felipe joga a bola patéticamente na trave. O juiz manda voltar. O verme finalmente faz um gol. Ganhamos, mas precisávamos realmente disso?
Escrito por wooddays às 12h11 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Como passa o tempo...

Vem chegando o verão, em breve estarei de férias e logo logo dando um rolê pelo Rio de Janeiro. Como o tempo passa...
Escrito por wooddays às 12h09 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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